domingo, 26 de julho de 2009

25 de Julho - Dia de Santiago!


Celebrou-se ontem mais um dia de Santiago, que se comemora anualmente a 25 de Julho, e é simultaneamente o dia nacional da Galiza. Não posso deixar de relembrar-me de um certo Julho de 1998, quando na condição de peregrino, desde Ponte de Lima, cheguei à Catedral de Santiago.
Esses dias de peregrinação foram muito marcantes na minha vida. Tão interessantes que nunca mais abandonei a ideia de um dia regressar a Santiago de Compostela na condição de peregrino. Preferencialmente, percorrendo um caminho mais longo.
Claro que a vida rotineira tem sempre mil maneiras de nos fazer sentir amarrados a mil tarefas e situações indadiáveis... E assim, o retorno ao caminho, foi ficando sempre para depois, para quando houvesse um tempo futuro mais livre.
Em 2008 a vontade de ser novamente peregrino de Santiago intensificou-se, ganhando novos contornos. Nasceu a ideia de sair de casa a pé, indo de Arganil até Santiago...E também este blogue e o respectivo nome! Entretanto surgiu um amigo arganilense interessado em também percorrer esse caminho.
Apesar de todas as dificuldades em criar o tempo livre necessário, pensámos realizar esta peregrinação em Setembro de 2009. Mas, com o meu trabalho na distribuição e vendas a atingir intensidade máxima e com o imenso desafio/responsabilidade de ser um dos candidatos MEP à Assembleia da República, por Coimbra (com as eleições legislativas a acontecerem a 27 de Setembro), fica dificil encontrar o mínimo tempo disponível em Setembro.
Ainda assim surgiu a possibilidade de re-calendarizarmos a peregrinação para Outubro... No entanto devido ao enorme percurso de Arganil a Santiago seria aconselhável realizar parte do caminho em Agosto... Surgiu a possibilidade de subdividirmos a peregrinação em algumas etapas entre Arganil e Porto para irmos realizando por vezes, servindo em simultaneo de preparação física para uma peregrinação em contínuo... E depois em Outubro, ou quando possivel, fazer seguidamente o caminho Porto-Santiago.
Só ainda não sei se de facto é viável prever alguns dias em Agosto para começar a percorrer etapas... Nos próximos dias terei de decidir, se ainda serei peregrino em 2009, ou apenas em 2010! De qualquer forma, pretendo voltar em breve ao caminho, "Hasta Santiago"!

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Encontro com os últimos pastores!



Quando na manhã deste sábado, dia 18 de Julho, arranquei de carro de Arganil, na companhia de Constantino Dias, tínhamos apenas por objectivo ir tentar adquirir para os rebanhos de cabras de ambos, alguns dos excelentes fardos de feno produzidos nos lameiros dos Casais de Folgosinho. Mas, eu nem sequer pensei que na realidade ia ao "encontro dos últimos pastores de Folgosinho", precisamente os protagonistas do célebre documentário "Ainda há Pastores" de Jorge Pelicano.
Constantino Dias é um experimentado criador e negociante de gado a quem os muitos invernos não fizeram perder a capacidade de olhar e se adaptar ás mutações constantes do mundo... Outra coisa não será de pensar de um criador de gado com mais de 70 anos que durante a viagem de carro me ia falando do facto espantoso que era os netos estarem na sala e pelo computador pesquisarem e falarem com pessoas de todo o mundo. Claro que apesar de admirar os computadores, Constantino Dias, relembra com saudade outros tempos bem mais difícieis, mas onde se vivia de terra em terra, a pé, a negociar animais. Essa é a sua paixão de sempre - o Gado, com especial destaque para os Bois de trabalho. Aprendeu o ofício com o pai, que começou a acompanhar pelas serras desde miúdo, e que já comprava gado e bois desde a Guarda até Condeixa... Um dos sítios por onde passavem, e até pernoitavam, eram os casais de Folgosinho...
Mesmo passadas tantas décadas Constantino Dias, ainda conhece cada Casal daqueles lugares perdidos na serra, sem nome e com casas feitas de algumas pedras e um quanto colmo a resguardar as pedras que fazem de telhado. Sabe o nome próprio, de cada um, entre aquela gente .
Fomos para comprar feno de excelência... Mas também lá o ano de produção de fenos foi péssimo em quantidades. Ainda não está colhido, mas já estava todo encomendado e reservado.
Teremos de adquirir fenos de outros lugares, mas pelo menos fiquei a conhecer vários dos remotos, e simultaneamente celebrizados "Casais de Folgosinho". Encontramos Hermínio "o mais jovem de todos os pastores" a ajudar a juntar os fenos para a enfardeira num lameiro do Casal do Rio Gozo. Segundo dizem por lá, Hermínio, depois de ter ficado conhecido na televisão e de lhe oferecerem uma viagem ao Brasil, chegou a estar afastado dali, despedir-se do trabalho, vender algumas ovelhas próprias que o patrão lhe permitira ter e gastar as parcas economias que tinha vindo a reunir... Mas esquecida a efémera bolha da fama, resolveu afinal regressar ao sítio onde sente que pertence.
Visitamos o Casal Feiteira, o Casal das Pias e outros cujo nome não retive... Em nenhum havia feno para venda... E mesmo a palha do centeio ainda por malhar também não parece abundar.
Aproveitamos para visitar um último Casal, não em busca de feno, mas para o Constantino Dias visitar um cliente de bois. Levámos o carro ligeiro (que por esta altura já não tinha nenhuma outra cor além da do borralho) até onde podia ir, sem correr demasiados riscos de se danificar, e caminhamos algum tempo até à "Quinta das Maceiras" onde vive mais uma família, precisamente a que inclui a rapariga-pastora que ficou conhecida no documentário como "Rosa Brava", despertando uma forte polémica mediática que haveria de ajudar posteriormente ao seu retorno à escola.
Neste Casal só há mesmo o essencial. No exterior, junto à porta de uma velhíssima casa de pedra está a Rosa que pouco fala, com o seu ar acanhado, um irmão e a mãe. O pai que estava dentro de casa surge rapidamente. Vamos ver os bois de trabalho que o pai da Rosa usa para algumas sementeiras e agora quer vender na troca por outros mais jovens. A parelha de bois, agora enorme, chegou ali bem mais jovem há 2 ou 3 anos, entregue pelo Constantino Dias. Depois de alguma conversa e de bem vistos os bichos acordam uma nova venda com troca daqueles bois grandes por outros mais jovens para breve.
Depois de ver melhor as cabras começamos a afastarmo-nos de mais aquele Casal rodeado por algumas culturas agrícolas destinadas à autosuficiencia e subsistência de quem não depende do supermercados.
Só lamento não ter levado máquina fotográfica para aqui partilhar melhor todo aquele ambiente diferenciado... Mas ficam alguns traillers relativos ao célebre documentário capturados no youtube para poderem conhecer melhor o local onde "ainda há pastores".

terça-feira, 21 de julho de 2009

ARGANIL FASHION - CONCURSO DE CRIAÇÃO DE MODA

A Associação Juvenil CUME, em parceria com o Município de Arganil, vai organizar o espectáculo “Arganil Fashion 2009”, no dia 8 de Agosto, no âmbito do programa das “Noites de Verão”, na Praça Simões Dias.
Esta quarta edição do Arganil Fashion, desenvolvido pela Associação CUME, tem por tema do Concurso de Criação de Moda o “Futuro Colorido”. Além do desfile do vestuário original que os criadores de moda concorrentes, inscritos até 1 de Agosto apresentem, o espectáculo contará ainda com desfiles de roupa de lojas da região e animação complementar.
O concurso de Criação de Moda do Arganil Fashion, terá um primeiro e segundo prémios a atribuir às duas criações mais pontuadas pelo júri do Arganil Fashion, com os valores respectivos de 250 e 150 Euros.
Todas as pessoas, ou entidades, que desejem participar neste concurso de Criação de Moda, podem obter as informações necessárias e formalizarem a inscrição junto da Associação CUME. Para o efeito, podem contactar a Associação através dos números 938897849/966678426, ou através do site www.portalcume.com e email associacao.juvenil.cume@gmail.com .

Novos Clientes para Queijo de Cabra


O meu dia de trabalho na terça-feira, dia 14 de Julho, foi aproveitado para algo um pouco diferente do habitual. Além de ser empresário agrícola com actividade especialmente centrada na criação de caprinos, sou também o Director Comercial da Queijaria da Quinta do Ribeiro. Normalmente concentro-me sobretudo nas vendas e distribuição dos queijos e doces produzidos aos clientes, mas também organizo o marketing e promoção dos produtos, tal como, a angariação de novos clientes.
No dia 14 dediquei-me sobretudo à análise de mercado e ao estudo de potenciais novos clientes. Com a colaboração e apoio do eng. João Madanelo, técnico da ANCOSE (Associação Nacional de Criadores de Ovinos Serra de Estrela) com imenso conhecimento técnico e prático em produção e comercialização de queijo, visitamos uma grande superfície no grande Porto e também uma loja gourmet bastante conceituada, onde podemos confirmar que em ambos os casos, apesar da diversificada oferta de queijos tradicionais, o queijo de cabra se limita a muito poucas marcas, na maioria propriedade de produtores de dimensão industrial.
Foi possível confirmar que deve existir espaço e eventualmente mercado para a entrada de novas marcas no queijo tradicional de cabra tanto em algumas grandes cadeias de distribuição como ao nivel do seguemento gourmet.
Verificou-se ainda que o nivel de sofisticação e investimento nas embalagens em queijos e doces também não era muito acentuado.
Levantam-se agora possibilidades interessantes para futuros novos clientes, tanto em termos de supermercados como em lojas de produtos de distinção. Vamos estudar um pouco a possibilidade de responder com um conceito preciso de produto a cada um destes mercados, elaborando também novas embalagens adequadas a esses cenários. Um bom queijo merece uma apresentação e embalagem de excelência.

domingo, 19 de julho de 2009

Festas e Espectáculos

O Verão está aí em força. Por toda a Beira Serra começam a intensificar-se os espectáculos e as tradicionais festas anuais de cada localidade, para em meados de Agosto atingirem o pico máximo de eventos e de participantes (com muitos emigrantes em Lisboa e países estrangeiros a passarem férias nas aldeias de origem), numa catadupa festiva.
Muito para além do acontecimento festivo em si e da animação musical ou lúdica proposta, estas festas acabam por ser sempre um palco priviligiado de encontros casuais, não só entre desconhecidos, mas também com colegas, amigos e até familiares que há muito não se encontravam. Este é um dos motivos porque gosto mais de estar, ou circular, por algumas destas festas e eventos.
Num meio relativamente pequeno acaba sempre por se encontrar alguns conhecidos, que por arrastamento levam também a novas apresentações e conhecimentos com outras pessoas que os acompanham.
Aproveitei a noite do sábado 11 de Julho para um breve périplo por alguns dos eventos dessa noite... Comecei a noite na Vila de Coja, assistindo ao interessante espectáculo de moda promovido pelo Rancho Infantil e Juvenil, sendo especialmente digno de elogio, entre os 3 desfiles de moda, o de originais produzidos a partir de materiais reciclados. Lá estavam alguns amigos, familiares e colegas.
Seguiu-se uma breve passagem pela festa do Vale de Nogueira, uma simpática aldeia da freguesia de Arganil, onde várias parcerias de negócios me levam frequentemente, fortalecendo também a amizade e confiança com alguns residentes.
Rumei depois à festa de Vale do Tronco. No regresso a casa ainda fiz uma breve passagem pela ExpoAlva em S. Pedro de Alva que tinha começado precisamente nesse sábado.
E assim, numa única noite estive em 4 dos muitos eventos e festas que animaram tantos locais da Beira Serra.

"A Tempestade" de Shakespeare na Regaleira


Demorei muito a concretizar a desejada visita à Regaleira. Mas, quando finalmente aconteceu foi algo completamente imprevisto e especial. E para complementar uma tarde fabulosa nada melhor que uma noite imprevista única.
Verifiquei durante a passagem pela Regaleira que nessa noite o grupo de teatro TapaFuros levaria a cena ao ar livre, na própria Quinta da Regaleira a peça "A Tempestade" de William Shakespeare. Adoro Shakespeare. Estava completamente fascinado pelo mistério da Regaleira. Seria uma experiencia nova assistir a uma peça de Teatro ao ar livre, durante a noite num lugar tão surpreendente.
O regresso ao hotel a Lisboa podia aguardar... Felizmente a noite ainda estava sem compromissos confirmados. Resolvi aproveitar mais este fantástico imprevisto até há poucas horas atrás. Saí da Regaleira para ir jantar a dois passos (mesmo indo a pé) ao Centro Histórico de Sintra, para depois retornar à Regaleira. Tirei bilhete e segui pela entrada através da esplanada onde um músico interpretava diversas canções da língua portuguesa.
Um pouco depois das 22 horas o grupo de mais de meia centena de espectadores foi convidado a entrar por um pequeno portão do bar-esplanada no recinto fechado da Quinta da Regaleira. Por entre efeitos sonoros de uma assustaodra tempestade o público viu a peça começar no próprio Palácio da Regaleira, seguindo depois de perto os actores até ao cenário principal no interior da Quinta.
Não é legítimo contar muito mais, sem eventualmente roubar aos amigos leitores deste post a agradável surpresa que podem desfrutar ao assistir a esta peça neste lugar único. O que se recomenda vivamente.
Para aguçar o apetite e entreabrir a porta aos interessados em viver esta experiência de uma noite radicalmente diferente e interessante na Regaleira transcrevemos a apresentaçãodesta peça, de acordo com o grupo TapaFuros:

"Convidamos a embarcar rumo a ilha perdida em cabo atlântico, finistérreo, frondoso... a Regaleira transformada em cenário único nesta terra, para a função que Próspero nos prepara e oferece: O espectáculo do homem face à natureza, a impotência daquele face à grande Mão. Igualmente o compêndio das fraquezas humanas, o descalabro moral em terras de ninguém, longe do olhar que julga e condena. A magia está no ar, correndo célere entre o arvoredo, as ondas, os cumes rochosos. Surpreende os meros mortais, altera-lhes os passos, desvenda caminhos que nunca poderiam ser imaginados.Próspero é o mestre-de-cerimónias nesta noite. A todos nos apresentará, para grande deleite, uma tempestade jamais vista, um grande teatro do Mundo. Saibamos ver e ouvir o que tem para nos mostrar e dizer. E não tenhamos ilusões de que tudo é verdadeiro, como só o Teatro o pode ser. Que A Tempestade comece!"A Tempestade de William Shakespeare. As sessões serão de Quinta a Domingo. A peça estará na Quinta da Regaleira até ao dia 13 de Setembro de 2009. Quintas, Sextas e Sábados as 22 horas. Aos Domingos haverá sessão ás 21 horas".

Quem poder aproveite! Ao sair da Regaleira, já bastante para lá da meia noite, levará consigo a recordação de uma experiência inesquecível.

sábado, 18 de julho de 2009

Regaleira - Visita Especial!


Palácio da Regaleira

A visita à Quinta da Regaleira, em Sintra, estava prevista há anos! Mas, mesmo esta concretização a 4 de de Julho, apenas foi planeada, em definitivo, no dia anterior. A Regaleira actual foi construída pelo proprietário António Carvalho Monteiro, e é um daqueles lugares mágicos especiais que ao longo dos anos fui conhecendo e apreciando cada vez mais; quer através dos livros, quer pelas palavras e descrições de alguns amigos. Estar na Regaleira é, de certo modo, realizar um pequeno sonho pessoal!
Dada a falta de planeamento atempado desta visita acabei por não contactar uma amiga muito especial de Lisboa, que há pouco mais de um ano atrás se voluntariou para ser a minha guia nesta visita à Regaleira, por adorar o local e o conhecer ao detalhe.
A "Petra" seria uma excelente guia não só para o concreto, mas sobretudo para abordar os símbolos e as chaves das suas revelações. "Petra" é uma confessa admiradora do culto da Grande Deusa ou do Sagrado Feminino que se sente especialmente bem em Sintra... Ou não fosse outrora a Serra de Sintra denominada "Monte da Lua".
Para aproveitar melhor esta primeira visita à Regaleira (tudo farei certamente por regressar em breve) optei por adquirir um bilhete com visita guiada incluída. Depois de passar pela esplanada, como noutro post adiantei, ás 17h apresentei-me no local da concentração do grupo para a visita guiada. Surpresa das surpresas foi verificar (apesar dos vários turistas que andavam pela quinta) que afinal o grupo de visitantes guiados era apenas constituído por uma pessoa - Eu!
Durante mais de uma hora tive assim o incrível privilégio de visitar a Regaleira orientado por uma guia exclusiva com quem foi possivel apreender o essencial e ainda conversar sobre inúmeros detalhes que me despertavam mais interesse pessoal.


A Guia da minha visita à quinta da Regaleira

Foi fantástico cruzar o "Patamar dos deuses"; circular por caminhos e escadarias simbólicas de outros percursos; apreciar as fontes de diversas virtudes, subir várias torres; descer ao gigantesco poço iniciático virado ao "centro da terra"; percorrer grutas escuras e subterrâneos labirínticos até encontrar algumas "passagens secretas"; caminhar sobre o lago, de pedra em pedra sobre a água; visitar a capela descendo à cripta e aos subterraneos associados; percorrer o Palácio da Regaleira (autentica mansão filosofal alquímica) e visitar uma exposição alusiva ao projecto arquitectónico e a Luigi Manini (o arquitecto responsável pela Regaleira).

Como privilégio acrescido, além de viver toda esta experiência única, tirei algumas fotos magníficas e ganhei ainda algumas fotografias da minha passagem pela Regaleira gentilmente tiradas pela conhecedora guia que me conduziu nesta visita.
Aproveitei os ultimos instantes da tarde para percorrer e saborear sozinho um pouco mais daquele lugar único.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

"A morte só existe na nossa cabeça"!



Chego a Sintra durante a tarde do Sábado, dia 4 de Julho. Rumo à Quinta da Regaleira para finalmente concretizar uma sonhada visita àquele lugar mágico, tão conhecido através de vários livros e das descrições de alguns amigos. Ao tirar o bilhete escolho a opção de visita guiada à Regaleira. Enquanto aguardo a hora da visita aproveito para ir ao bar-esplanada beber uma água e petiscar uma queijada.
Na parede da esplanada evidencia-se uma faixa a divulgar a peça de teatro "A Tempestade" de William Shakespeare que é representada ao ar livre algumas noites, justamente na Regaleira.
Disfruto silenciosamente do cenário que se avista da esplanada, enquanto pondero como seria interessante assistir à "Tempestade". Diante da mesa, à qual estou sentado, passam três crianças a conversar. A rapariga, um pouco mais crescida, possivelmente com cerca de 10 ou 12 anos explica com uma notável convicção e eloquência de discurso aos dois rapazes um pouco mais jovens que a acompanham "(...) É muito interessante. Faz-nos pensar. E na verdade, a morte só existe na nossa cabeça"!
Embora não seja meu costume escutar as conversas dos outros, e de certo modo me escape o contexto da afirmação da jovem, a profundidade da frase e sobretudo o tom de convicção total deixa-me claramente surprendido.
É surpreendente ver uma simples criança falar de algo tão sério e complexo como a morte a outras crianças, quando tantos adultos fogem ao tema. Mas, sobretudo é espantosa a convicção absoluta da ausência de morte e da ressureição do ser humano. Embora não tenha estado presente em tais momentos históricos, no momento ocorre-me que nenhum dos grandes fundadores ou guias das principais religiões da humanidade terá defendido a imortalidade de forma mais convicta do que aquela criança acabara de fazer.
Os dois rapazes não contrapuseram a menor dúvida à afirmação da morte ser só uma ilusão da nossa cabeça. Eu, mesmo depois de pensar bem no assunto também não. Admito todavia que sou suspeito para falar da matéria. Desde há longos anos que me venho habituando a ver a morte como a noite e a vida como o dia. Todos morremos para um dia, quando na incerta noite adormecemos, antes de ressuscitarmos para a nova vida do dia seguinte.
É uma metáfora que me tranquiliza, criando a convicção profunda que um dia também adormeceremos desta vida, para mais tarde podermos acordar para outra. Aderi assim a uma ideia de imortalidade responsável, que filosoficamente obriga a aproveitar este breve dia que passa, antes que a noite chegue em breve. Mas, paradoxalmente impulsiona uma ética tremenda por acreditar que no dia seguinte sempre se irá colher o que se semeou nos dias anteriores à grande noite de permeio.
E se de facto a morte definitiva não for ilusão da nossa cabeça? Se por acaso isso fosse a realidade teria de o ser independentemente das convicções...O que pensamos sobre isso não faria a menor diferença.
Eu sempre concordarei com aquela rapariga, mesmo não sabendo quem seja. "A morte só existe na nossa cabeça". Respeito a morte, mas não a temo... Todos temos de morrer, e cada instante que passa é um instante a menos para que tal venha a acontecer. Mas, só chegamos a Ser nós mesmos, quando deixamos de ter medo disso e arriscamos tentar ser o sonho e o sentido de vida que somos.
E alguns minutos depois disto, estava eu a enfrentar os "Guardiães do Umbral" da Regaleira (como a foto documenta) que guardam as portas que se abrem e fecham entre os dois mundos!

CUME JUNIOR




Inovação e rejuvenescimento na Associação CUME

Onze anos após a fundação em 1998, e com um currículo a aproximar-se da centena de actividades realizadas na região, a Associação Juvenil CUME está a desenvolver um projecto profundamente transformador, denominado “CUME Junior”.
Procurando cumprir a missão de estimular a participação dos mais jovens não só nas actividades realizadas, mas também na própria decisão e organização das iniciativas a desenvolver, a Direcção da CUME desde sempre contou com a colaboração e opinião de alguns jovens com menos de 18 anos. Todavia, em termos legais, os jovens menores de 18 anos não podem integrar formalmente os órgãos sociais de uma Associação Juvenil, como a CUME.
Pretendendo estimular os jovens arganilenses para a importância e a vivencia do associativismo juvenil, a actual Direcção da CUME apostou na inovação, desafiando alguns jovens com menos de 16 anos a constituírem uma lista Júnior que replicasse todos os órgãos sociais da Associação CUME. Nasceu assim, dentro da CUME, um grupo de trabalho de 13 jovens, com idades compreendidas entre os 13 e os 16 anos que já está a contribuir na dinamização e diversificação das actividades conduzidas pela Direcção.
A iniciativa CUME Júnior foi naturalmente exposta e aprovada por unanimidade, não só pela Assembleia Geral da Associação, como também numa reunião prévia realizada com todos os encarregados de educação dos jovens que assumiram o papel “CUME Júnior”.
Embora formalmente os 13 membros com mais de 18 anos, que preenchem os órgãos sociais, sejam os únicos responsáveis legais pela CUME, em termos concretos, passam voluntariamente a partilhar parte das suas funções num sistema de co-participação e co-decisão com os 13 participantes da iniciativa CUME Júnior.
Ao envolver os membros juniores nas reuniões, decisões e actividades que a Associação concretiza, incentiva-se o interesse pelo associativismo e cidadania; a preparação antecipada de uma nova geração arganilense para assumir eventuais cargos e lideranças futuras nesta ou em outras associações; e potencia-se na CUME o aparecimento novos projectos e contributos para a realização dos mesmos.
Na equipa do projecto CUME Júnior emerge desde já o facto absolutamente extraordinário (ainda que não planeado pela Associação e unicamente decorrente da liberdade de escolha das “líderes” Júnior ao formarem as suas equipas) de ser constituído por 11 raparigas e apenas 2 rapazes. Embora a CUME sempre tenha tido uma assinalável participação feminina em termos de associados e Órgãos Sociais, esta invulgar maioria feminina poderá passar a determinar uma alteração substancial do tipo de iniciativas desenvolvidas até agora.
Este projecto CUME Júnior foi iniciado em Abril de 2009, pelo que a participação dos Júniores já se fez sentir na participação da CUME, enquanto parte da organização do “Arganil Rock”, e também no almoço comemorativo do 11º aniversário, realizado a 17 de Maio, no parque de Merendas do Santuário do Senhor da Serra, na freguesia da Carapinha do vizinho concelho de Tábua.
Essa comemoração do 11º aniversário da CUME incluiu também uma caminhada ao redor da Serra da Moita, durante a qual se recolheu selectivamente algum lixo abandonado ao longo do percurso. E terminou justamente com a apresentação da iniciativa e dos responsáveis pela CUME Júnior.

in Jornal de Arganil 02/07/2009

Caprinicultura e Floresta




A importancia da silvopastorícia nas zonas Florestais foi destacada por diversos oradores, no âmbito de alguns paineis do seminário denominado "multifuncionalidade da Floresta através da Exploração dos Recursos Florestais e Silvopastoris", que decorreu no Centro de Operações e Técnicas Florestais (COTF), na Lousã, no dia 10 de Abril.
Com um programa centrado em questões como o aproveitamento da Biomassa Florestal Residual; as estratégias de Redução do Risco de Incêndio Florestal e papel da Silvopastorícia nas Zonas Florestais os diversos oradores tiveram entre a assitência simultaneamente muitos agentes económicos ligados á área florestal e criadores de caprinos.
Este seminário organizado no âmbito de uma vasta parceria entre a Direcção Regional de Agricultura e Pescas do centro, a Direcção Geral de Recursos Florestais, a Federação dos Produtores Florestais de Portugal, a Escola Superior Agrária de Coimbra e o Instituto de Desenvolvimento Agrário da Região Centro contribuiu assim para uma afirmação clara da importância da caprinicultura extensiva e dos caprinicultores em meio florestal.
Embora falte o principal, que é partir do conhecimento técnico que tem vindo a ser produzido, para uma mais clara acção no terreno - de qualquer modo, é positivo, que finalmente as mentalidades comecem a mudar (com estudos técnicos a demonstrarem aquilo que empiricamente todos podiamos perceber mas não provar).
Embora já existam algumas explorações pioneiras de caprinos em explorações florestais a verdade é que só agora se começa a dar o devido valor ao papel das cabras como "sapador florestal" de baixo custo, ainda por cima com a virtude potencial de reciclar desperdícios florestais causadores de riscos de incêndio em produtos úteis como carne e leite...
Infelizmente durante décadas (desde os anos 30/40 do século XX) predominou a visão, injusta, da cabra como inimiga da floresta, dado poder danificar algumas árvores juvenis, ou até, em caso de pastoreio intensivo em pouco espaço, algumas espécies de árvores adultas.
Viu-se o detalhe e tentaram afastar-se as cabras e os pastores da floresta... De facto as cabras podem danificar algumas árvores e alguns pastores precisavam do mesmo espaço que outros entendidos queriam para florestar. Foram proibidas as cabras nas florestas, e as queimadas em espaço florestal (ou adjacente) para evitar incêndios. Alguns pastores, carvoeiros e agricultores de cereais de montanha (especialmente para produção de centeio em encostas com forte declive)precisavam de as fazer... Pelo que ou abandonaram essas actividades ou passaram a fazé-las á margem da lei e com riscos bem maiores.
É um acto de justiça que em pleno século XXI a verdade seja reposta e se reconheça que a cabra e o pastor podem de facto ser auxiliares na Defesa da Floresta contra os incêndios, tal como de resto é praticado e reconhecido em diversos outros países mediterrânicos.
Manter faixas extensas sem vegetação é tarefa cara e dificil quando feita apenas com meios mecánicos, além de ser um tremendo desperdicio de espaço produtivo. Ora promover aí o pastoreio regular é não só estimular a humanização da paisagem e aproveitamento do território, como manter a biomassa controlada de forma barata e permanente.
Esperemos então que neste virar de página histórico as Zonas de Intervenção Florestal passem a prever e a estimular a existencia de rebanhos dentro do seu perímetro, acertando com os pastores as zonas de pastoreio estratégico. Que não se percam mais jovens que se querem instalar como criadores de caprinos e viver no espaço rural, contrariando a desertificação, só porque ninguém encontra um baldio ou espaço utilizável onde possam exercer a sua actividade económica... O que infelizmente vem acontecendo nas últimas décadas sempre que um jovem quer ser criador de caprinos, mas não tem terras ou posses económicas para as adquirir. Tanto espaço entregue a fogos e ao abandono e nenhuma solução para superar borucracias contraditórias.
Fica a esperança que esta nova abordagem faça escola e que sejam os próprios responsáveis particulares ou públicos pela floresta a estimular o aparecimento de criadores de caprinos. Sewrá também preciso que o Estado colabore a nivel da legislação, pois para se instalarem os caprinos onde mais são necessários não se pode impedir a construção de capris só por a paisagem ter qualquer classificação especial... pois as cabras são justamente um possivel defensor dessa paisagem. Obrigue-se a construções não permanentes - tudo bem! Mas, ajude-se quem pode ajudar a ser útil nesse aproveitamento do espaço florestal, pois cada jovem que a posse da propriedade e a burocracia detém é mais alguém que sme possibilidade de actividade económica terá de partir para a cidade... até que um dia, independentemente de todas as boas teorias, se torne impossivel preservar as paisagens, por falta de pessoas que nelas trabalhem e as humanizem.




Publicada por Michael a 15/04/2008