sexta-feira, 24 de julho de 2009

Encontro com os últimos pastores!



Quando na manhã deste sábado, dia 18 de Julho, arranquei de carro de Arganil, na companhia de Constantino Dias, tínhamos apenas por objectivo ir tentar adquirir para os rebanhos de cabras de ambos, alguns dos excelentes fardos de feno produzidos nos lameiros dos Casais de Folgosinho. Mas, eu nem sequer pensei que na realidade ia ao "encontro dos últimos pastores de Folgosinho", precisamente os protagonistas do célebre documentário "Ainda há Pastores" de Jorge Pelicano.
Constantino Dias é um experimentado criador e negociante de gado a quem os muitos invernos não fizeram perder a capacidade de olhar e se adaptar ás mutações constantes do mundo... Outra coisa não será de pensar de um criador de gado com mais de 70 anos que durante a viagem de carro me ia falando do facto espantoso que era os netos estarem na sala e pelo computador pesquisarem e falarem com pessoas de todo o mundo. Claro que apesar de admirar os computadores, Constantino Dias, relembra com saudade outros tempos bem mais difícieis, mas onde se vivia de terra em terra, a pé, a negociar animais. Essa é a sua paixão de sempre - o Gado, com especial destaque para os Bois de trabalho. Aprendeu o ofício com o pai, que começou a acompanhar pelas serras desde miúdo, e que já comprava gado e bois desde a Guarda até Condeixa... Um dos sítios por onde passavem, e até pernoitavam, eram os casais de Folgosinho...
Mesmo passadas tantas décadas Constantino Dias, ainda conhece cada Casal daqueles lugares perdidos na serra, sem nome e com casas feitas de algumas pedras e um quanto colmo a resguardar as pedras que fazem de telhado. Sabe o nome próprio, de cada um, entre aquela gente .
Fomos para comprar feno de excelência... Mas também lá o ano de produção de fenos foi péssimo em quantidades. Ainda não está colhido, mas já estava todo encomendado e reservado.
Teremos de adquirir fenos de outros lugares, mas pelo menos fiquei a conhecer vários dos remotos, e simultaneamente celebrizados "Casais de Folgosinho". Encontramos Hermínio "o mais jovem de todos os pastores" a ajudar a juntar os fenos para a enfardeira num lameiro do Casal do Rio Gozo. Segundo dizem por lá, Hermínio, depois de ter ficado conhecido na televisão e de lhe oferecerem uma viagem ao Brasil, chegou a estar afastado dali, despedir-se do trabalho, vender algumas ovelhas próprias que o patrão lhe permitira ter e gastar as parcas economias que tinha vindo a reunir... Mas esquecida a efémera bolha da fama, resolveu afinal regressar ao sítio onde sente que pertence.
Visitamos o Casal Feiteira, o Casal das Pias e outros cujo nome não retive... Em nenhum havia feno para venda... E mesmo a palha do centeio ainda por malhar também não parece abundar.
Aproveitamos para visitar um último Casal, não em busca de feno, mas para o Constantino Dias visitar um cliente de bois. Levámos o carro ligeiro (que por esta altura já não tinha nenhuma outra cor além da do borralho) até onde podia ir, sem correr demasiados riscos de se danificar, e caminhamos algum tempo até à "Quinta das Maceiras" onde vive mais uma família, precisamente a que inclui a rapariga-pastora que ficou conhecida no documentário como "Rosa Brava", despertando uma forte polémica mediática que haveria de ajudar posteriormente ao seu retorno à escola.
Neste Casal só há mesmo o essencial. No exterior, junto à porta de uma velhíssima casa de pedra está a Rosa que pouco fala, com o seu ar acanhado, um irmão e a mãe. O pai que estava dentro de casa surge rapidamente. Vamos ver os bois de trabalho que o pai da Rosa usa para algumas sementeiras e agora quer vender na troca por outros mais jovens. A parelha de bois, agora enorme, chegou ali bem mais jovem há 2 ou 3 anos, entregue pelo Constantino Dias. Depois de alguma conversa e de bem vistos os bichos acordam uma nova venda com troca daqueles bois grandes por outros mais jovens para breve.
Depois de ver melhor as cabras começamos a afastarmo-nos de mais aquele Casal rodeado por algumas culturas agrícolas destinadas à autosuficiencia e subsistência de quem não depende do supermercados.
Só lamento não ter levado máquina fotográfica para aqui partilhar melhor todo aquele ambiente diferenciado... Mas ficam alguns traillers relativos ao célebre documentário capturados no youtube para poderem conhecer melhor o local onde "ainda há pastores".

1 comentário:

  1. Ai como é boa a vida no campo.... Quem me dera andar por esses caminhos!
    Bj

    ResponderEliminar