terça-feira, 14 de junho de 2011

Crónica de uma caminhada política

Aqui partilho com os visitantes deste blogue, uma das mais interessantes iniciativas realizadas por mim durante a recente campanha para as eleições legislativas, nas quais novamente fui o candidato número dois da lista do círculo eleitoral de Coimbra à Assembleia da República pelo MEP www.mep.pt . Este texto saíu publicado em diversos sites online e alguns jornais da região:





Em torno da “Linha de Comboio de Arganil"

São cerca de 11 da manhã de Sexta-feira, dia 27 de Maio, quando parto de Arganil, sozinho, com uma mochila e uma bandeira do MEP – Movimento Esperança Portugal, ás costas para a “Caminhada da Esperança” que durante dois dias irá percorrer um caminho até Coimbra em torno da sonhada “Linha de Comboio de Arganil”, mas que só chegou a Serpins, e agora, depois de removida para obras, nem sequer parte de Coimbra. O futuro da linha é cada vez mais incerto após as últimas verdades financeiras e declarações políticas… De um projecto para o moderno Metro de Superfície sonhado por alguns visionários políticos de Coimbra e arredores, já aparecem agora responsáveis a sugerir apenas a utilização de miniautocarros, mais económicos, em vez de Metro.

Atravesso a Mata de Arganil que vai estando cada vez mais cuidada e valorizada, rumo à aldeia do Casal de S. José, local por onde a Linha do Caminho de Arganil deveria ter chegado a Arganil, como previsto ainda em tempos da monarquia. Nunca chegou. Mas, as obras chegaram bem perto.

Na aproximação ao Rochel vamos falando com as pessoas que encontramos ainda (e felizmente) empenhadas a cuidar das suas culturas agrícolas pelos campos. Com todo o interesse, bem beirão, de bem receberem o viajante e de lhe apresentarem bem a sua terra, vão-me explicando minuciosamente cada passo da Linha. Logo me apontam os locais onde estão os aterros e terraplanagens que foram feitas há muitos, muitos anos. Dizem que a Linha tem marcos que provam que aquela é propriedade da empresa Cabo Mondego. E alguns afirmam, com orgulho, ter terrenos que na descrição do prédio rústico dizem nas confrontações “Pega com a Linha”. Afinal a linha que nunca chegou a Arganil possui terrenos expropriados até Arganil. E realizaram-se boa parte das terraplanagens, partes de túneis e fundações de obras de arte até 2 kms de distância. E isto elucida-nos bastante como, noutros tempos, também já se desperdiçava dinheiro público e empréstimos em projectos que depois morriam dois passos antes de alcançarem o objectivo.

Seguimos por entre pinhais e eucaliptais um percurso lateral, mas próximo, ao da linha até ao Pereiro e depois em direcção a Bordeiro, já no concelho de Góis. Atravessamos a parte florestal da Quinta da Capela até uma série de aldeias que surgem na margem direita do rio Ceira. Algumas senhoras moradoras e agricultoras nessa margem do Ceira vão-nos apontando onde na margem esquerda do Rio Ceira é “a linha” que “nunca teve carris” mas ainda assim consta nos registos das propriedades como “Linha” e tem marcos, pois era por ali que o comboio devia ter “passado para Góis/Arganil”. Mais acima cruzamos o rio Ceira para a margem esquerda, chegando a Vila Nova do Ceira debaixo de intenso temporal de chuva e trovoada. Aproveitamos para abrigo, um café, onde fazemos um ligeiro almoço tardio. Com o amainar da chuva seguimos até Serpins, onde a linha efectivamente chegou. Inquirindo o motorista de um dos autocarros ao Serviço da empresa “Metro do Mondego” percebemos que actualmente as populações têm uma oferta de autocarros numerosa, enquanto duram as obras.

Aproveitamos a paragem em 2 cafés de Serpins para ouvir as opiniões dos presentes sobre as obras da linha. Alguns destacavam que “Estava a ser feito um grande investimento”, mas todos temiam “que não fosse concluído” ou que os “carris nunca mais voltassem”. Um senhor de meia-idade disse-me com alguma ironia “então mas se eles não tinham dinheiro, para que é foram estragar a linha que existia”? Outro mais velho, retorquiu “Se calhar com o mesmo dinheiro ou menos tinham era acabado a linha que existia até à terra deste senhor (Arganil)”. Ou “então electrificavam a linha e pronto. Aliás ainda há anos tinham feito algumas melhorias” dizia um terceiro.

Lá segui encostado à linha mais um pouco, optando depois, dados os avisos a proibir a entrada de pessoas na área de obras por me desviar e seguir por Casal de Ermio até à Lousã enfrentando cerca de 8 kms, e não apenas os cerca de 5 de distância, que teria de vencer percorrendo a linha. Esse percurso na berma da estrada fez-me por várias vezes pensar que aquela estrada não parecia ter a largura nem a segurança suficiente para alguém poder transitar nela a pé… Mas isso já é outro assunto, o de algumas estradas serem bastante perigosas para se circular a pé.

Chego à Lousã com o anoitecer, reencontrando, por acaso, algumas pessoas conhecidas da minha actividade profissional, antes de me dirigir à residencial onde reservei quarto, por apenas 20 euros (e que foi de resto o único custo específico desta actividade de campanha, além de uns folhetos alusivos criados e impressos por mim, porque a alimentação é um custo que todos temos diariamente, mesmo sem campanha).

Sábado de manhã arranco cedo, mas acabo por me demorar um bocado nas imediações da linha, onde aproveito para visitar a feira semanal que aí decorre, apresentando ás pessoas a iniciativa que estava a realizar e divulgando um pouco o MEP.

Sigo caminho ora pelo espaço da linha, em zonas que se apresentava já com piso regular em gravilha ora por estradas marginais até Miranda do Corvo onde almoço. Continuo a seguir a linha de perto e a ter algumas conversas que vão no mesmo sentido de outras. Dizem-me que “a linha estava boa” e que podia “durar 30 anos sem obras” ou até “uma vida” numa versão mais entusiasmada… No fundo as pessoas até aceitam as obras se fosse para melhorar, mas tem medo que o Metro não chegue nunca, e para ficarem com mini autocarros preferiam ter a linha que existia antes. Aliás alguém me diz, já perto de Ceira, “Destruíram uma coisa tão boa, tão resistente, que vinha dos tempos da monarquia”, mas “que estava para durar”, e "é pena porque tínhamos uma linha de bitola europeia –percebe?” Há “tanta linha em Portugal de bitola curta que não dá para ligar com nada, e nessas não foram mexer”.

Continuo para Coimbra, agora pela estrada da Beira, lembrando-me estar a repetir um caminho que há meses tinha percorrido como peregrino em Direcção a Santiago de Compostela (pois na idade média para se entrar em Coimbra vindo do lado esquerdo do Mondego, ou se passava ali de barco, perto de onde hoje é a Ponte Portela e a da linha da Lousã), ou tinha de se continuar para só entrar em Coimbra pela antiga Ponte de Santa Clara.

Concluída esta “Caminhada Esperança” em Coimbra, após a travessia de 5 concelhos em 2 dias, chegou a hora de escrever a crónica a relatar a viagem, antes que os factos se comecem a desvanecer e perder alguma nitidez.

Independentemente dos resultados eleitorais virem a demonstrar ou não a conquista de mais umas dezenas ou centenas de votos com esta acção de campanha, fico desde já satisfeito por ter cumprido a dura jornada que me havia proposto tentar, de percorrer todo o “Caminho de Ferro de Arganil” e que apenas por nunca lá ter chegado, passou a ser chamado da Lousã.

Nesta caminhada empreendi o meu esforço num sentido construtivo de ouvir as populações que de algum modo enquanto candidato a deputado me proponho representar, caso assim o decidam. Procurei também ver no terreno a arqueologia de um sonho, porque tantas pessoas de Arganil e da Beira Serra se bateram durante décadas. Demonstrei que é possível fazer política, poupando custos, se estivermos disponíveis para nos esforçar física e criativamente; que é perfeitamente seguro um candidato andar sozinho e falar aberta e directamente com os seus concidadãos, sem escoltas nem comitivas. Fiz uma acção de campanha sem grandes emissões de carbono e ainda tirei algumas fotos interessantes pelo caminho.

Gostaria certamente de fazer uma caminhada por todo o distrito, ocupando todos os dias de campanha, mas infelizmente a agenda profissional não o permite, afinal todos precisamos, cada vez mais, de contribuir não só para reduzir a despesa pública, como para criar mais riqueza em Portugal. Mas, em trabalho, acabo por percorrer semanalmente grande parte dos distritos de Coimbra e Viseu.

Por último, acabei por ter um pretexto para escrever esta crónica de campanha, dado que apesar de felizmente vários média regionais noticiarem o evento em igualdade com as iniciativas de outros partidos, nenhum média acabou por ter um jornalista disponível para ir ao terreno fazer a reportagem desta actividade original do MEP. Para compensar irei pedir-lhe que publiquem total, ou parcialmente esta crónica.



Coimbra, 28 de Maio de 2011

segunda-feira, 13 de junho de 2011

De Arganil a Santiago de Compostela IV




Um Sonho e um desafio

O sonho desta peregrinação entre Arganil e Santiago terá nascido em finais de Julho de 1998, após a realização da I peregrinação oficial pelo recuperado Caminho português de Santiago entre Ponte de Lima e Santiago de Compostela. O jovem arganilense Michael Gonçalves, na altura estudante universitário no Porto, foi um dos cerca de setenta peregrinos que participou nesse grupo pioneiro que teve honras de estado chegando a ser recebido pelo presidente do Governo Regional da Galiza.
Dom Duarte de Bragança também se deslocou propositadamente a Santiago de Compostela para acompanhar este grupo e à entrada da Catedral saudar pessoalmente cada um dos peregrinos. A AACPS que já estava em germinação viria a ser legalizada ainda nesse ano, e tornou-se o grande motor que levou à recuperação e reutilização do Caminho português de Santiago desde o Porto. Concluída a peregrinação de 6 dias ficou em Michael Gonçalves a vontade de voltar a ser peregrino, mas com um percurso de peregrinação maior.
Alguns anos depois de regressar a Arganil sentiu essa vontade e escreveu alguns textos sobre o assunto num blogue e na imprensa local que acabaram por estabelecer a ponte com os amigos António Castanheira e Carlos Magalhães que logo mostraram muito interesse na temática.
Tendo resolvido realizar nova peregrinação, se possível desde Arganil em 2010, Michael Gonçalves combinou essa viagem com António Castanheira e informaram Carlos Magalhães dessa intenção. Assim nasceu este grupo de 3 peregrinos arganilenses. Inicialmente prevista para finais de Setembro, a peregrinação acabaria por ser adiantada, de modo a coincidir e integrar a XI peregrinação da AACPS, entretanto anunciada publicamente.
Durante esta peregrinação que contou com a presença de assinaláveis conhecedores e autores sobre o Caminho Português, João Abreu Lima, presidente da AACPS, aproveitou para desafiar os 3 peregrinos arganilenses a lançarem uma associação regional de Amigos do Caminho a partir de Arganil e região que de algum modo investigue e faça nos próximos anos a ligação da Beira Serra ao Caminho Central Português… Para já os 3 peregrinos arganilenses ficaram sensibilizados pela possibilidade e desafio, mas para este projecto avançar será preciso reunir mais vontades na região da Beira Serra, assim quem estiver interessado em participar na tentativa de cumprir este desafio pode contactar o grupo pelo email leachim.goncalves@gmail.com

Michael Gonçalves

De Arganil a Santiago de Compostela III



De Ponte de Lima a Santiago de Compostela
O sábado, dia 4 de Setembro, começou cedo com os 3 peregrinos arganilenses a juntarem-se no largo da Igreja Matriz de Ponte de Lima aos restantes 102 peregrinos e mais de 20 voluntários do Corpo Português da Ordem de Malta (que mais uma vez assumiram a logística alimentar, e o apoio médico e espiritual aos 105 peregrinos desta XI peregrinação da AACPS. Após a bênção na Igreja o grupo cruzou a antiquíssima Ponte medieval reconstruída sobre Ponte romana e percorrendo a freguesia de Arcozelo por entre vinhas e ribeiros começou a célebre e exigente subida da Labruja, considerada muito justamente, o ponto mais difícil de superar no Caminho Português de Santiago.
Vencida esta histórica e acidentada via romana e medieval o almoço foi se4rvido pelos Voluntários da Ordem de Malta no Albergue de Rubiães. Durante a tarde cumpriu-se a jornada até Valença onde o grupo, dadas as dimensões, ficou alojado num pavilhão desportivo.
No domingo, dia 5, após uma curta passagem pela Fortaleza de Valença, os peregrinos passaram o rio Minho pela Ponte metálica, entrando na Galiza e Espanha pela cidade de Tuy. Com a passagem da antiga fronteira também as indicações do Caminho de Santiago deixaram de ser só setas amarelas, passando também a azulejos com Vieiras indicadoras da direcção e ainda marcos de Pedra informativosa.
Em Tuy assistiram na Catedral à celebração de uma missa que em parte lhes foi dedica. O almoço foi num parque junto a um convento próximo. De tarde o percurso seguiu pelas magníficas margens do Rio Louro, quase sempre pela antiga via militar romana XIX (que outrora ligou Braga a Astorga) até à dura zona industrial de Porriño, onde uma árida recta industrial de mais de 3 quilómetros de alcatrão aguardava os peregrinos. A dormida em Porriño e em todas as restantes cidade galegas seria também num pavilhão desportivo.
O dia 6 foi marcada por uma intensa chuva obrigando os peregrinos a socorrem-se de Capas e Ponchos impermeáveis para percorrem o Caminho entre Porriño e Pontevedra, com maravilhosas paisagens em Redondela, e sobre a Ria em Arcade e Pontesampaio que a chuva não permitiu desfrutar completamente.
No dia 7 cumpriu-se por entre alguns chuviscos ligeiros, o caminho por antigas estradas romanas e medievais junto de ribeiras, aldeias e vinhas até à cidade termal de Caldas de Reis.
Dia 8 partiu-se de Caldas de Reis em direcção a Padron, o local onde segundo a lenda terá sido amarrada a barca que chegou com o corpo do Apostolo Tiago, localizada não muito longe da antiga cidade romana de Iria Flavia. De tarde após a passagem pelo monumental santuário da Escravitude chegaram a Milladoiro.
No dia 9 realizou-se uma caminhada de cerca de duas horas até entrar na cidade de Santiago de Compostela pela tradicional porta de entrada do Caminho Português. Depois da passagem pela fila de cerca de 200 peregrinos na Oficina do Peregrino para validar a Caderneta e obter a Compostela, seguiu-se a Missa do peregrino na Catedral de Santiago onde o grupo da AACPS ocupou o lugar tradicional dos peregrinos portugueses dentro da Catedral. A celebração foi engrandecida pela utilização do espectacular “Bota-fumeiro” e por magníficos cânticos.
Seguiu-se a fila para visitar o fundamento da catedral e peregrinação, ampliada neste ano Jacobeu de 2010, dado nestes anos Santos (que acontecem quando o dia 25 de Julho coincide com um domingo) o percurso de Abraço à imagem de S. Tiago e visita ao seu túmulo ser feita por uma porta especial.
Cumprida a homenagem ao discípulo de Cristo, que serviu de lenda e razão medieval justificativa para demonstrar que era vontade de Deus que a Península Ibérica fosse terra cristã. Seguiu-se o almoço na cidade e a compra de algumas recordações alusivas aos caminhos de Santiago, com a convicção que para além da lenda e da fé, verdadeiramente a existência de Santiago, ao tempo também chamado de Santiago Matamouros, foi fundamental para que a Europa se organizasse num movimento de Cruzadas de reconquista para a Península Ibérica e não apenas Jerusalém.
Se assim não tivesse sido, Portugal e Espanha talvez nunca tivessem existido e levado o cristianismo aos novos continentes. Seguiríamos a religião muçulmana e talvez fossemos ainda actualmente um país, ou vários, designados como o Al Andaluz, ou Al Ibéria da cultura árabe.
No regresso todos os peregrinos não podiam também deixar de sentir uma enorme gratidão pela AACPS e por a realização desta XI peregrinação, bem como pelo excelente apoio do Corpo Português de Voluntários da Ordem de Malta, continuação moderna da antiga ordem religiosa militar dos Hospitalários, criada justamente no tempo, e para suporte, das cruzadas à Terra Santa e depois Península Ibérica, posterior defesa da Ilha de Malta… Mas, que hoje é sobretudo uma vasta organização humanitária internacional que no caso português, ainda há pouco tempo assumiu a responsabilidade pelo funcionamento e gestão do Hospital de Díli em Timor.

De Arganil a Santiago de Compostela II



De Coimbra ao Porto
No dia 7 percorreram a etapa histórica designada nos guias do Caminho Central Português “Coimbra-Mealhada” seguindo já junto ao Mondego e por aldeias onde passava a antiga estrada de ligação de Coimbra ao Porto, as famosas setas amarelas que marcam os principais caminhos de Santiago em todos os cruzamentos. Continuaram ainda mais alguns quilómetros até Anadia, onde pernoitaram num hotel.
Para o dia 8 estava previsto cumprirem a etapa da Mealhada a Águeda, mas dado o avanço do dia anterior, chegaram a Águeda ao início da tarde pelo que resolveram cumprir ainda nesse mesmo dia a curta etapa seguinte de Águeda a Albergaria-a-velha (cerca de 19 km). Um pouco depois Águeda foram surpreendidos com a gentil oferta de um agradável almoço por parte de uma família de peregrinos de Fátima residentes junto ao caminho.
Como as agendas profissionais e pessoais impunham os peregrinos tiveram de regressar depois ao seu quotidiano, retomando a peregrinação a 20 de Agosto a partir de Albergaria-a-velha até Oliveira de Azeméis, onde pernoitaram nos Bombeiros Voluntários.
No sábado dia 21 continuaram a percorrer o antigo Caminho Central Português até Grijó, onde ficaram alojados numa residencial. No domingo dia 22, após uma visita ao Mosteiro de Grijó continuaram por uma antiga estrada romana até Vila Nova de Gaia, onde quase à entrada da cidade encontraram dois peregrinos a cavalo que seguiam rumo a Santiago. Um pai e uma filha, oriundos de Oliveira de Azeméis, depois de já terem percorrido o caminho de Fátima a Cavalo estavam agora a peregrinar pelo Caminho de Santiago. Almoçaram junto com eles, num animado piquenique junto a uma fonte antiga. De tarde cumpriram a jornada até ao Centro histórico do Porto, visitando a Sé catedral e outros locais de interesse histórico.
Cumpridos assim os primeiros 7 dias de peregrinação do Sarzedo a Coimbra e daí ao Porto, os peregrinos regressaram a casa, para no dia 1 de Setembro retomarem, em modo ininterrupto, a partir do Porto os 9 dias de peregrinação restantes.

Do Porto a Ponte de Lima
Continuando a seguir as setas amarelas, mas passando a utilizar o excelente guia do Caminho Central Português entre Porto e Santiago de Compostela da AACSP, na quarta-feira, dia 1 de Setembro, os 3 peregrinos arganilenses cumpriram a etapa do Porto até Vilarinho e continuaram mais alguns quilómetros até à histórica localidade de S. Pedro de Rates, onde ficaram alojados num Albergue de apoio aos peregrinos. Nesse local, além deles pernoitaram cerca de 30 peregrinos, incluindo 3 outros portugueses e algumas peregrinas polacas.
Neste trecho da peregrinação, multiplicaram-se os peregrinos a pé e de bicicleta, tanto para Santiago de Compostela como para Fátima com que se iam cruzando no antigo caminho de Santiago.
È certo que desde Coimbra se vinham cruzando diariamente com alguns peregrinos estrangeiros a pé e de bicicleta, sobretudo alemães, espanhóis e italianos, mas a partir do Porto tanto a quantidade como a diversidade de origens dos peregrinos aumentaram consideravelmente. Os portugueses que iam passando continuavam sobretudo a ser peregrinos de bicicleta.
No dia 2 de Setembro, por entre inúmeras aldeias e campos de milho, foram cruzando sucessivos rios por pontes antigas até Barcelos, local da histórica lenda do Galo de Barcelos associada à peregrinação a Santiago. Pelo Caminho impôs-se logo ao início da manhã uma paragem no restaurante “Pedra Furarada” que é uma assinalável referência do Caminho Português na arte de bem receber e apoiar os peregrinos que demandam Santiago, como o interesse dos proprietários no Caminho, a decoração do café e restaurante e sobretudo o extenso arquivo escrito e fotográfico que guardam da passagem de todos os peregrinos por aquele local documenta.
Após a visita à Igreja e outros monumentos de Barcelos, seguiu-se a passagem pela grande Feira que aí decorre todas as quintas-feiras e o almoço num restaurante próximo do caminho. Durante a tarde os peregrinos arganilenses continuaram a percorrer o trilho medieval até S. Pedro de Tamel, onde pernoitaram num moderno albergue de peregrinos apenas com 4 meses de existência, reencontrando aí alguns dos peregrinos conhecidos na noite anterior em S. Pedro de Rates.
No dia 3 de Setembro os peregrinos cumpriram o caminho de fisionomia cada vez mais rural e bucólica entre S. Pedro de Tamel e Ponte de Lima, sem se esquecerem de fazer uma curta paragem na já célebre “Casa da Fernandinha” em S. Vitorino de Piães. Tal como previsto, chegaram a Ponte de Lima cedo, o que permitiu almoçarem um pouco antes das 3 da tarde já no centro histórico da “mais antiga vila de Portugal”. Aproveitou-se um pouco da tarde para percorrer a Vila já em ebulição com a contagem decrescente para as Feiras Novas e para visitar o Festival Internacional de Jardins. A dormida foi no grande e confortável Albergue de Peregrinos de Ponte de Lima, localizado junto do rio Lima, do lado de Arcozelo, mesmo junto ao final da antiga Ponte que deu nome à localidade.

De Arganil a Santiago de Compostela



Novos passos arganilenses por velhos caminhos

Três arganilenses concluíram, no dia 9 de Setembro deste ano Jacobeu, aquela que terá sido a primeira peregrinação a pé dos tempos modernos entre Arganil e Santiago de Compostela. Seguindo os antigos caminhos medievais de Santiago os peregrinos arganilenses percorreram cerca de 470 quilómetros em 16 dias. Entre Arganil e Ponte de Lima caminharam apenas os três, com as mochilas às costas. De Ponte de Lima a Santiago de Compostela estiveram entre os 105 peregrinos que integraram a XI peregrinação da Associação dos Amigos do Caminho Português de Santiago (AACPS).

A alvorada do domingo dia 25 de Julho, precisamente dia de Santiago, foi a data escolhida para simbolicamente principiar a peregrinação de Arganil a Santiago de Compostela. Os peregrinos António Pedro Castanheira, Carlos Magalhães e Michael Gonçalves reuniram-se no Sarzedo, junto à fonte da Rainha Santa Isabel, onde outrora existiu uma capela possivelmente dedicada a essa rainha e também peregrina (reza a lenda que pelo menos por duas vezes) do Caminho português de Santiago.
Antes deste dia, os peregrinos já tinham optado por incluir o caminho de Arganil ao Sarzedo numa “Jornada Zero” de treino a 17 de Julho. Nessa “Jornada Zero” os dois peregrinos sarzedenses tinham optado por subir a Serra da Moita visitando a Santa Eufémia e o Senhor da Serra seguindo depois ao Gualdim; Venda da Serra; Alvoeira; Pousadoros; Secarias; Arganil; visita à capela Medieval de S. Pedro e regresso ao Sarzedo. Carlos Magalhães optou por descer desde o Mont’ Alto até Arganil, capela de S. Pedro e Sarzedo.
Perante a inexistência de levantamentos completos e de marcação dos Caminhos de Santiago na nossa região a organização desta peregrinação implicou bastante investigação prévia (tanto documental, como no terreno junto das pessoas mais antigas das localidades) sobre a rede viária de caminhos e estradas antigas entre Arganil e Santa Clara em Coimbra, local onde encontraram e passaram a seguir o Caminho Central Português já investigado e sinalizado há alguns anos, desde Lisboa a Coimbra, Porto, Ponte de Lima e Santiago de Compostela.
Como previsto, no dia de Santiago, os 3 peregrinos saíram do Sarzedo pela antiga Estrada Real que outrora atravessava a povoação e grande parte da freguesia até à Urgueira, ligando depois à Estrada Real que precedeu a Estrada da Beira do século XIX e em alguns pontos se confunde até com esta. Na Catraia dos Poços seguiram por uma estrada florestal sobreposta à histórica passagem junto à quinta do Carapinhal, cruzando parcialmente a aldeia dos Poços e voltando à estrada florestal até à Texugueira e Cortiça, local de passagem da antiga estrada romana e medieval. Desceram ao cruzamento de Paradela, confluindo aí a antiga estrada com a Estrada da Beira actual até à capela da Sobreira, percorrendo a rua principal da povoação antes de o traçado voltar a estar sobreposto pela N17.
Um pouco antes do Mucelão seguiram pela saída identificada e sinalizada como “Caminho de Fátima”, percorrendo uma antiga via pela Quinta da Carvalha até à histórica aldeia de Ponte da Mucela. Atravessaram esta antiga aldeia de passagem e hospedagem de tantos viajantes ilustres e anónimos, desembocando na Ponte sobre o Rio Alva, construída na época de D. Dinis, mas reaproveitando algum material de uma primitiva ponte Romana.
Já no concelho de Vila Nova de Poiares subiram quase em linha recta pela antiga estrada Real até ao Alto de S. Pedro Dias, descendo depois em direcção a Venda Nova e Moinhos. Passando por Secundeira atingiram Risca Silva e depois a antiga entrada na Vila de Poiares.
Após o treino e esta primeira aventura, os peregrinos retomaram a peregrinação nos dias 6, 7 e 8 de Agosto. Na sexta-feira dia 6 partiram de Vila Nova de Poiares por antigas vias rumo ao Crasto, onde iniciaram a subida da mítica Serra do Carvalho até ao topo. A descida levou a Ceira, local onde se abriam duas possibilidades de chegar a Santa Clara. Atravessaram o Mondego pela Ponte da Portela, local bastante próximo do sítio onde outrora muitas pessoas terão cruzado o Mondego a Vau. Seguindo por vias urbanas da margem direita do rio chegaram à ponte de Santa Clara. Após o almoço seguiu-se a visita ao Convento de Santa Clara a Velha onde encontraram também uma exposição sobre a vida medieval de Coimbra e deste convento, do antigo hospital que apoiava os peregrinos e os necessitados e ainda sobre a maior figura das Clarissas, a rainha e peregrina Santa Isabel. Ao final da tarde percorreram ainda o Caminho dentro da Baixa de Coimbra, ficando alojados num hotel da cidade.

Uma peregrinação a Santiago

uma das coisas mais interessantes que fizemos neste tempo que andamos mais afastados deste blogue foi a concretização da Peregrinação de Arganil a Santiago no Verão de 2010, partindo de Arganil com mais 2 amigos, passando por Ponte de Lima onde nos juntamos a um grande grupo de peregrinos e continuamos até Santiago. Em princípio este ano irei de novo com esses dois amigos em peregrinação. Desta feita de Santiago até Muxia e Fisterra! Em breve partilharei aqui algumas fotos e a crónica da peregrinação que publiquei no Jornal de Arganil.

Regresso ao Blog

Eu sei que tenho andado ausente deste blog.
Em parte tal deve-se a uma agenda tremendamente preenchida... Mas, por outro lado alguma culpa tem sido do facebook onde nos vamos habituando a partilhar muito do que poderia aqui ser dito no blog... Só que não é bem a mesma coisa. Por isso, já andamos com algumas saudades de utilizar mais este blog... E Há tanta coisa que merece ser contada e partilhada aos amigos, até para ficar mais clara e sistematizada para nós mesmos. Mas, aos poucos vamos a essa hercúlea tarefa de falar aqui de tantas coisas interessantes que tem sucedido!