De Ponte de Lima a Santiago de Compostela
O sábado, dia 4 de Setembro, começou cedo com os 3 peregrinos arganilenses a juntarem-se no largo da Igreja Matriz de Ponte de Lima aos restantes 102 peregrinos e mais de 20 voluntários do Corpo Português da Ordem de Malta (que mais uma vez assumiram a logística alimentar, e o apoio médico e espiritual aos 105 peregrinos desta XI peregrinação da AACPS. Após a bênção na Igreja o grupo cruzou a antiquíssima Ponte medieval reconstruída sobre Ponte romana e percorrendo a freguesia de Arcozelo por entre vinhas e ribeiros começou a célebre e exigente subida da Labruja, considerada muito justamente, o ponto mais difícil de superar no Caminho Português de Santiago.
Vencida esta histórica e acidentada via romana e medieval o almoço foi se4rvido pelos Voluntários da Ordem de Malta no Albergue de Rubiães. Durante a tarde cumpriu-se a jornada até Valença onde o grupo, dadas as dimensões, ficou alojado num pavilhão desportivo.
No domingo, dia 5, após uma curta passagem pela Fortaleza de Valença, os peregrinos passaram o rio Minho pela Ponte metálica, entrando na Galiza e Espanha pela cidade de Tuy. Com a passagem da antiga fronteira também as indicações do Caminho de Santiago deixaram de ser só setas amarelas, passando também a azulejos com Vieiras indicadoras da direcção e ainda marcos de Pedra informativosa.
Em Tuy assistiram na Catedral à celebração de uma missa que em parte lhes foi dedica. O almoço foi num parque junto a um convento próximo. De tarde o percurso seguiu pelas magníficas margens do Rio Louro, quase sempre pela antiga via militar romana XIX (que outrora ligou Braga a Astorga) até à dura zona industrial de Porriño, onde uma árida recta industrial de mais de 3 quilómetros de alcatrão aguardava os peregrinos. A dormida em Porriño e em todas as restantes cidade galegas seria também num pavilhão desportivo.
O dia 6 foi marcada por uma intensa chuva obrigando os peregrinos a socorrem-se de Capas e Ponchos impermeáveis para percorrem o Caminho entre Porriño e Pontevedra, com maravilhosas paisagens em Redondela, e sobre a Ria em Arcade e Pontesampaio que a chuva não permitiu desfrutar completamente.
No dia 7 cumpriu-se por entre alguns chuviscos ligeiros, o caminho por antigas estradas romanas e medievais junto de ribeiras, aldeias e vinhas até à cidade termal de Caldas de Reis.
Dia 8 partiu-se de Caldas de Reis em direcção a Padron, o local onde segundo a lenda terá sido amarrada a barca que chegou com o corpo do Apostolo Tiago, localizada não muito longe da antiga cidade romana de Iria Flavia. De tarde após a passagem pelo monumental santuário da Escravitude chegaram a Milladoiro.
No dia 9 realizou-se uma caminhada de cerca de duas horas até entrar na cidade de Santiago de Compostela pela tradicional porta de entrada do Caminho Português. Depois da passagem pela fila de cerca de 200 peregrinos na Oficina do Peregrino para validar a Caderneta e obter a Compostela, seguiu-se a Missa do peregrino na Catedral de Santiago onde o grupo da AACPS ocupou o lugar tradicional dos peregrinos portugueses dentro da Catedral. A celebração foi engrandecida pela utilização do espectacular “Bota-fumeiro” e por magníficos cânticos.
Seguiu-se a fila para visitar o fundamento da catedral e peregrinação, ampliada neste ano Jacobeu de 2010, dado nestes anos Santos (que acontecem quando o dia 25 de Julho coincide com um domingo) o percurso de Abraço à imagem de S. Tiago e visita ao seu túmulo ser feita por uma porta especial.
Cumprida a homenagem ao discípulo de Cristo, que serviu de lenda e razão medieval justificativa para demonstrar que era vontade de Deus que a Península Ibérica fosse terra cristã. Seguiu-se o almoço na cidade e a compra de algumas recordações alusivas aos caminhos de Santiago, com a convicção que para além da lenda e da fé, verdadeiramente a existência de Santiago, ao tempo também chamado de Santiago Matamouros, foi fundamental para que a Europa se organizasse num movimento de Cruzadas de reconquista para a Península Ibérica e não apenas Jerusalém.
Se assim não tivesse sido, Portugal e Espanha talvez nunca tivessem existido e levado o cristianismo aos novos continentes. Seguiríamos a religião muçulmana e talvez fossemos ainda actualmente um país, ou vários, designados como o Al Andaluz, ou Al Ibéria da cultura árabe.
No regresso todos os peregrinos não podiam também deixar de sentir uma enorme gratidão pela AACPS e por a realização desta XI peregrinação, bem como pelo excelente apoio do Corpo Português de Voluntários da Ordem de Malta, continuação moderna da antiga ordem religiosa militar dos Hospitalários, criada justamente no tempo, e para suporte, das cruzadas à Terra Santa e depois Península Ibérica, posterior defesa da Ilha de Malta… Mas, que hoje é sobretudo uma vasta organização humanitária internacional que no caso português, ainda há pouco tempo assumiu a responsabilidade pelo funcionamento e gestão do Hospital de Díli em Timor.
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