terça-feira, 10 de junho de 2008

A Prece do Peregrino

[DEDICADA A TODOS OS PEREGRINOS]

Senhor, guia-me em todos os passos, para que jamais caminhe só por caminhar! Para que toda a imensa jornada tenha sempre um sentido especial em cada momento!

Senhor, orienta-me em todos os pensamentos, para que nunca as minhas ideias deixem de estar ligadas à fonte que és Tu! Para que nunca as minhas ideias deixem de estar ligadas à fonte que és Tu! Para que cada decisão que tome na minha atribulada existência seja fruto da tua verdade!

Senhor, faz com que as minhas mãos e obras estejam sempre ao serviço da realização dos Teus propósitos para este mundo! Para que o Teu reino se concretize aqui mesmo na Terra!

Senhor, inspira-me sempre com a Tua força e iluminação para que possa superar as tentações do quotidiano! Para que possa vencer as ilusões com que a escravidão e a mentira me tentam prender!

Senhor, conduz este peregrino, quese entrega em Tuas mãos, pelos duros caminhos da vida, fazendo sua a Tua Vontade!

O peregrino: Michael Gonçalves
Publicado in Espaço "O MIrante", na Comarca de Arganil de 07/12/1996

terça-feira, 3 de junho de 2008

Criar

Quem cria ultrapassa as barreiras
Do convencional e do definido.
Pois não existem fronteiras
Que possam suster o indefinido.

Criar é ser capaz de ambicionar
Alcançar um novo horizonte.
É ter desmedida coragem e unificar
O sonho e o real numa só ponte.

É não se conter perante a futilidade,
É buscar eternamente o conhecimento
E encontrá-lo noutra verdade.

É definir novas hierarquias,
Onde a raiva, a alegria e a tormenta,
Tal como o ódio e o amor sejam guias.

Publicado no Espaço Jovem, in A Comarca de Arganil, 14/03/1995
Escrito aos 16 anos.

Hino ao Sol



Oh Sol, fonte de magia!
Quão grande é a verdade
Dessa tua sabedoria,
Que é teres a imortalidade
E nasceres a cada dia!

Oh Sol, guardião da igualdade
Como é profunda a tua lição.
Os teus raios são fraternidade,
São ensinamento de comunhão
Para toda a humanidade!

Oh Sol, manifestação de amor,
Quão belo é o teu coração.
A todos distribuis teu calor,
Tua força, tua luminosa vastidão
E teu conforto consolador!

Oh Sol, ideal da União,
Feito luz ardente.
Como a tua perfeição
Convida toda a gente
A seguir a tua iluminação!

Oh Sol, anjo sorridente,
Emanação de mil esperanças.
Como te saúda contente
A Natureza repleta de danças
E todo o homem inteligente!

Sarzedo, Planeta Terra, 10-02-97

Publicado no Espaço “O Mirante” in A Comarca de Arganil, 06/03/1997

"Poesia"

Perguntaram-me se escrevia poesia.
Podia te dito que sim!

O meu cão acreditaria
Seguramente em mim.
Aos outros, faltaria
A sensibilidade expressa no latir do Flim.

Porém, eu só escrevo versos,
Feitos de palavras que o tempo irá corroer.
Os signos são perversos.
Começam a apodrecer, acabam por morrer
À semelhança de todos os Universos.

Só o nada é eterno.
Nele existem todos os horizontes.
Nunca é Inverno.
As margens unem-se pelas pontes.
O paraíso estende-se até ao inferno.

Antes da manifestação
O poeta é como a água de todas as fontes.
Tudo está no seu coração.
Não existem montes
A travar a ilusão.

Ter é estar prisioneiro.
Escrever é limitar,
É ser carrasco e carcereiro
Das ideias impossíveis de expressar
Com o significado verdadeiro.

As formas são uma sombra apodrecida.
Materializar é limitar a um quartito
Os ideais, cuja força e vida
Se estende pelo infinito.
Mas, é preciso versejar.
Peregrinar até ao templo da poesia.
Todas as formas renovar
A cada segundo do dia.

Escrevo versos,
Como quem faz romaria
Pelos Universos
Correndo atrás da Musa-Guia.

Quem sabe, um dia
Chegarei mais perto de ti
Oh! Poesia.

09/12/1998
Publicado in revista Águas Furtadas, edições do Jornal Universitário do Porto, 02/1999

Louvor ao Criador do Sol

Nasce o Sol (milagre incrível),
Um novo dia começa.
Tudo é possível.
Quem acredita recomeça,
Atinge o impossível.

A Luz cumpre a regra,
Rompendo a escuridão.
Tudo se alegra.
Até o Coração
Dos libertos da treva.

Já não há temor,
A verdade inunda o mundo.
Em nome do Amor,
O calor bate fundo
Na alma que louva com ardor.

A graça de Deus inunda
Esta parte da Terra.
A vida abunda.
Aparecendo por detrás da serra,
O Sol as trevas afunda.

Viva a Rosa Divina
Que nos renova e alimenta.
Graças pela luz que nos ilumina.
Pelo amor que nos orienta,
O gerador da Luz que não termina.

Louvor ao criador do Universo
Que tão belas manifestações produz.
Admiramos o Sol como quem reza o terço.
Pois quem tão bem nos conduz
Jamais caberá inteiro neste verso.

Graças ao Criador do Sol,
Pelo Sol e por todas as coisas

Publicado no espaço “o Mirante”, in A Comarca de Arganil, 19/01/1999

Gota de Água

Por fim a gota de água
Chega ao oceano.

Evapora-se sem mágoa
E sobe ao gasoso plano.

Da nuvem carregada
Escapa com boleia da gravidade.

Empreende longa jornada
Correndo com brevidade.

Unida a legiões de semelhantes
Forma poderosas nascentes.

Os rios caminhantes
Chegam ao mar sempre crescentes.

Igual a si a gota de água
Retorna ao inicial oceano.

Evapora-se sem mágoa
E sobe ao gasoso plano.

Publicado no espaço “O Mirante” in A Comarca de Arganil, 17/08/1999

A Nossa História

[Resumida em versos fáceis]

Na noite dos tempos,
Antes de sermos nós,
Viveram-se momentos
Que levantam a voz.

Ao uivar dos ventos,
Quando se sentiam sós,
Despertaram os sentimentos.
A Deusa viveu em nós.

Na alvorada da história,
Os homens da Anta
Navegaram com glória,
Como na Irlanda se canta.

Da dor, e da vitória,
Várias tribos valentes
Deixaram memória,
E nós, como descendentes.

O invasor romano
Viriato não temeu.
Guerreando tanto ano,
Só à traição morreu.

O império acabou.
O bárbaro veio reinar.
Mas, o cristianismo ficou
Até o mouro chegar.

No tempo da cruzada
Lutamos pela independência.
Portugal na alvorada,
De Afonso foi a regência.

O Portugal cristão
Não ficou só neste continente.
Partiu para a vastidão
Encontrando nova gente.

As eras passaram
E o império desapareceu.
As ligações não terminaram.
E até Timor renasceu.

A língua portuguesa cresceu
Habita por todo o mundo.
O ideal de Dom Dinis floresceu
Renasceu lá bem no fundo.

Com tanta mudança,
Pequena é a crise de agora,
Venha a nova dança,
Pois esta pode ser a hora.

A hora do reino da criança.

Publicado no espaço “O Mirante”, in A Comarca de Arganil

Queijos Ribeiro (*)

Os queijos do Ribeiro
Tem nome e tradição antiga.
José foi agricultor pioneiro
Como o disse voz amiga.

O filho do Visconde mandou
Criar as ovelhas do Canto.
Experientes queijeiras contratou
Surgindo um queijo de espanto.

A fama logo se espalhou
Sobre os queijos do Ribeiro.
Até que um dia calhou
Serem exemplo ao país inteiro.

Foi num jornal nacional,
Que surgiu um artigo lisonjeiro.
Revelou a todo o Portugal
Este bom queijo verdadeiro.

Passaram gerações e a lembrança
Dos queijos do Sr. Ribeiro.
Até à compra e posterior mudança
Dos Gonçalves para o Ribeiro.

A Quinta do Ribeiro
Dos Neves fora propriedade.
Mas a família de José Ribeiro
Com eles criou afinidade.

Foi António quem instalou
De novo, um grande rebanho.
E a Celeste quem fundou
Uma queijaria de tamanho.

Nasceram os queijos do Sarzedo,
Chamados da Quinta do Ribeiro.
Por acaso, e sem segredo,
Coincidiram no nome do pioneiro.

Dos queijos de ovelha passaram
Também a produzir os dos caprinos.
E nunca mais por ali pararam
De fazer queijos grandes e pequeninos.

O nome conquistou mercado
Ao qual o filho se dedicou.
E mesmo sendo estudado
Pelos queijos, no Sarzedo ficou.

O jovem Michael foi proclamado
Empresário Agrícola de Potencial.
Pelo título foi logo destacado
E passou na televisão nacional.

Da região da Beira Serra
Os queijos foram testemunho.
E desta, sarzedense terra
Levam, de novo, o cunho.

O nome dos queijos Ribeiro
Atravessa três séculos seguidos.
Como exemplo milagreiro
De agricultores bem sucedidos.

Quinta do Ribeiro
16 de Dezembro 2006

(*) Versos dedicados pelo autor aos queijos da Quinta do Ribeiro, produzidos pela sua família, mas que coincidem no nome, com os queijos que em finais do século XIX, José Ribeiro, filho do Visconde do Sarzedo, produzia. Ao paralelismo do nome, junta-se também o facto de, tanto uns, como outros, terem ganhado fama na região e a dada altura sido falados em meios de comunicação social nacionais (pelo mesmo motivo, o de constituírem um exemplo de inovação agrícola.)

Publicado in "Canto ao Sarzedo"

Resumo de Mim

Chamo-me Michael Gonçalves.
Nasci no Canadá,
Quando os meus pais andaram por lá.
Fui naturalizado português,
Ao resolverem regressar de vez.

Momentaneamente lisboeta e mourisense,
Acabei por me tornar sarzedense.
Os meus pais compraram uma quinta,
Com muita pinta.
Cresci próximo da Terra.
Filho de agricultor, visitando os avós na Serra.

Plantei árvores, plantas, fui pastor
E aprendiz de sonhador.
Não via televisão.
Aventurava-me com os peluches em inventada missão.
Fui para a escola, do Sarzedo, aprender
E fiz amigos a valer.
Craque na matemática,
Tive de me esforçar na gramática.
De tanto livro ler,
Imaginei muito e quis escrever.

Esqueci os algarismos,
Admirei os classicismos.
Estudei Humanidades
E busquei nobres e eternas verdades.
Escrevi para jornais,
Corri atrás dos ideais.

Chegou a Sociedade Global,
Estudei Comunicação Social.
Quatro anos fui portuense,
Sem jamais deixar de ser arganilense.
Envolvi-me em várias associações,
Aprendendo importantes lições.
Parti de Ponte de Lima, como peregrino,
Tendo Santiago por destino.
Estudante e jornalista,
Rapidamente cheguei a finalista.
Já licenciado,
Deixei a cidade e a profissão em que estava formado.
Regressei a Arganil,
Movido por um sonho subtil.

Agora vivo na Quinta do Ribeiro,
Estou no Sarzedo o ano inteiro.
Sou agricultor, caprinicultor,
Escritor e sonhador.
Vivo para Ser.
Realizo o serviço que me compete fazer.
Acredito que o Portugal inteiro
Regressará numa manhã de nevoeiro.
A rotina é improvisar,
Para realidade mais perfeita criar.
O lema é fertilizar os campos reais,
E cultivar também os espirituais.

Sigo o exemplo que Isabel e Dinis
Deixaram a este país.
Entendo a ecologia,
Que traz morte e vida num só dia.
Amo a harmonia
Que se expressa com poesia.
Admiro o imenso universo,
Que jamais conseguirei captar num simples verso.
Adoro e agradeço a Deus, eterno e infinito,
Que com tanto amor paterno presenteia este filhito. (1)

Novos desafios chegaram,
E os degraus trepados não bastaram.
Aprendi como ser
Empresário e vendedor a valer.
Agora é preciso resistir,
Avançar, antes de tudo o que irá vir.
É precioso cada momento,
Para lançar o novo pensamento.
O tempo acelera veloz,
E é urgente soltar a voz.
E se o sonho é escrever,
Então só libertando as palavras no papel se está a viver.

A morte é uma ilusão.
Quem a teme já perdeu o coração.
A vida começa quando se entende o fim
E daí ganhamos coragem para sermos o Mim. (2)

(1) Criado em Dezembro de 2001;
(2) Acrescentado em Novembro de 2006;

Versos Autobiográficos publicados in "Canto ao Sarzedo"