terça-feira, 3 de junho de 2008

Resumo de Mim

Chamo-me Michael Gonçalves.
Nasci no Canadá,
Quando os meus pais andaram por lá.
Fui naturalizado português,
Ao resolverem regressar de vez.

Momentaneamente lisboeta e mourisense,
Acabei por me tornar sarzedense.
Os meus pais compraram uma quinta,
Com muita pinta.
Cresci próximo da Terra.
Filho de agricultor, visitando os avós na Serra.

Plantei árvores, plantas, fui pastor
E aprendiz de sonhador.
Não via televisão.
Aventurava-me com os peluches em inventada missão.
Fui para a escola, do Sarzedo, aprender
E fiz amigos a valer.
Craque na matemática,
Tive de me esforçar na gramática.
De tanto livro ler,
Imaginei muito e quis escrever.

Esqueci os algarismos,
Admirei os classicismos.
Estudei Humanidades
E busquei nobres e eternas verdades.
Escrevi para jornais,
Corri atrás dos ideais.

Chegou a Sociedade Global,
Estudei Comunicação Social.
Quatro anos fui portuense,
Sem jamais deixar de ser arganilense.
Envolvi-me em várias associações,
Aprendendo importantes lições.
Parti de Ponte de Lima, como peregrino,
Tendo Santiago por destino.
Estudante e jornalista,
Rapidamente cheguei a finalista.
Já licenciado,
Deixei a cidade e a profissão em que estava formado.
Regressei a Arganil,
Movido por um sonho subtil.

Agora vivo na Quinta do Ribeiro,
Estou no Sarzedo o ano inteiro.
Sou agricultor, caprinicultor,
Escritor e sonhador.
Vivo para Ser.
Realizo o serviço que me compete fazer.
Acredito que o Portugal inteiro
Regressará numa manhã de nevoeiro.
A rotina é improvisar,
Para realidade mais perfeita criar.
O lema é fertilizar os campos reais,
E cultivar também os espirituais.

Sigo o exemplo que Isabel e Dinis
Deixaram a este país.
Entendo a ecologia,
Que traz morte e vida num só dia.
Amo a harmonia
Que se expressa com poesia.
Admiro o imenso universo,
Que jamais conseguirei captar num simples verso.
Adoro e agradeço a Deus, eterno e infinito,
Que com tanto amor paterno presenteia este filhito. (1)

Novos desafios chegaram,
E os degraus trepados não bastaram.
Aprendi como ser
Empresário e vendedor a valer.
Agora é preciso resistir,
Avançar, antes de tudo o que irá vir.
É precioso cada momento,
Para lançar o novo pensamento.
O tempo acelera veloz,
E é urgente soltar a voz.
E se o sonho é escrever,
Então só libertando as palavras no papel se está a viver.

A morte é uma ilusão.
Quem a teme já perdeu o coração.
A vida começa quando se entende o fim
E daí ganhamos coragem para sermos o Mim. (2)

(1) Criado em Dezembro de 2001;
(2) Acrescentado em Novembro de 2006;

Versos Autobiográficos publicados in "Canto ao Sarzedo"

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