Perguntaram-me se escrevia poesia.
Podia te dito que sim!
O meu cão acreditaria
Seguramente em mim.
Aos outros, faltaria
A sensibilidade expressa no latir do Flim.
Porém, eu só escrevo versos,
Feitos de palavras que o tempo irá corroer.
Os signos são perversos.
Começam a apodrecer, acabam por morrer
À semelhança de todos os Universos.
Só o nada é eterno.
Nele existem todos os horizontes.
Nunca é Inverno.
As margens unem-se pelas pontes.
O paraíso estende-se até ao inferno.
Antes da manifestação
O poeta é como a água de todas as fontes.
Tudo está no seu coração.
Não existem montes
A travar a ilusão.
Ter é estar prisioneiro.
Escrever é limitar,
É ser carrasco e carcereiro
Das ideias impossíveis de expressar
Com o significado verdadeiro.
As formas são uma sombra apodrecida.
Materializar é limitar a um quartito
Os ideais, cuja força e vida
Se estende pelo infinito.
Mas, é preciso versejar.
Peregrinar até ao templo da poesia.
Todas as formas renovar
A cada segundo do dia.
Escrevo versos,
Como quem faz romaria
Pelos Universos
Correndo atrás da Musa-Guia.
Quem sabe, um dia
Chegarei mais perto de ti
Oh! Poesia.
09/12/1998
Publicado in revista Águas Furtadas, edições do Jornal Universitário do Porto, 02/1999
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