terça-feira, 30 de setembro de 2008

III – CAMINHOS DE SANTIAGO E DE FÁTIMA


Em menos de duas décadas, os quase esquecidos e abandonados Caminhos de Santiago, sofreram uma revitalização de dimensões inicialmente impensáveis. Por mais que alguns críticos possam ter visto, no recrudescer dessas peregrinações, algo anacrónico numa sociedade moderna, ser peregrino é uma experiencia de vida intemporalmente privilegiada. Com impacto profundo tanto na vivência da fé, como num melhor conhecimento de si mesmo, da cultura, história e património de que somos herdeiros, e ainda da própria condição humana.
Prestes a atingir de novo a dimensão das multidões de peregrinos europeus, registadas na Idade Média, os Caminhos de Santiago são agora percorridos por cidadãos dos cinco continentes. Mais do que nunca, os Caminhos de Santiago tornaram-se um caminho Universal, onde todos os povos da terra se irmanam na mesma condição de peregrinos.
Perante a importância mundial dos Caminhos de Santiago, e de todas as peregrinações em sentido lato, vários locais do mundo tem desenvolvido projectos de recuperação ou criação de rotas de peregrinação até Santiago, ou em torno de outros importantes santuários.
Dezenas de milhar de portugueses peregrinam todos os anos, desde os mais variados locais de Portugal ao Santuário de Nossa Senhora de Fátima. Mas, tratando-se de uma peregrinação nascida já no século XX, não se verifica a existência de rotas históricas de peregrinação. Os peregrinos seguem maioritariamente pelas bermas de algumas estradas rodoviárias principais e secundárias, com todos os riscos e inconvenientes inerentes.
No sentido de alterar esta situação, proporcionando ao crescente número de peregrinos a Fátima caminhos mais interessantes, seguros e sinalizados, surgiram em Portugal os Caminhos de Fátima. O projecto foi lançado em 2003, pelo Centro Nacional de Cultura e pelo Santuário de Fátima, visando a criação e sinalização com marcos indicativos de direcção constituídos de setas azuis de caminhos de peregrinação para Fátima.
No âmbito desta iniciativa nasceram o Caminho do Tejo que se inicia no parque das Nações e liga a cidade de Lisboa a Fátima e o Caminho do Norte que visava ligar o Porto ao Santuário de Fátima. Mas, ainda há bem pouco tempo, o Caminho do Norte não se encontrava totalmente marcado com setas azuis entre Porto e Fátima.
De qualquer modo, como o Caminho do Norte utilizado para ligar Porto a Fátima recorre precisamente a parte do trajecto do principal Caminho de Santiago português, entre Lisboa e Porto (com passagem por Coimbra), já se encontra razoavelmente sinalizado em sentido contrário a Fátima (na direcção Lisboa-Porto) com setas amarelas (que são a sinalização básica utilizada em todos os Caminhos de Santiago).
Desta confluência entre a nova rota, ideal e segura para se peregrinar até Fátima desde o norte de Portugal e o traçado do antigo Caminho de Santiago, acabou por brotar uma nova e surpreendente possibilidade.
Alguns peregrinos do Caminho Francês, mais aventureiros, mesmo após percorrerem os 700 quilómetros principais desse caminho e ainda o pequeno prolongamento Galego até Finisterra, tem resolvido agora continuar para Sul, fazendo a sua peregrinação só terminar no Santuário de Fátima. Assim, tudo indica que nos próximos anos, o principal Caminho de Santiago português entre Lisboa e Santiago, se tornará também no sentido inverso (entre Santiago e Fátima) uma grande rota percorrida por pessoas de todo o mundo.
Por visão estratégica de alguns, ou por profundos sentimentos religiosos e pioneirismo de outros, Fátima ganhou uma rota de peregrinação transnacional por antigos caminhos, que verdadeiramente poderá começar no Santuário de Lourdes ou noutro ponto de França, seguindo todo o Caminho Francês até Santiago e depois continuando pelo Recuperado Caminho Português.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

II - O CAMINHO PORTUGUÊS


Com o recrudescimento das peregrinações a Santiago, surge também um novo olhar benigno da Europa sobre os Caminhos de Santiago, vendo neles uma das primeiras manifestações do espírito de cooperação e mobilidade europeia. Aproveitando os incentivos europeus à cooperação inter-regional e transfronteiriça voltaram-se a estreitar laços históricos entre Portugal e Galiza, unidos pelo chamado Caminho Português de Santiago.
A Galiza recuperou e sinalizou todo o caminho de Santiago Português, até Tui. Não tardou, que algumas personalidades portuguesas e as Associações Locais de Desenvolvimento do Minho aceitassem o desafio Galego e pensassem em recuperar os Caminhos de Santiago e em criar em Portugal algumas Associações de Amigos do Caminho de Santiago. Em meados dos anos 90 identificou-se, desmatou-se (onde necessário) e sinalizou-se o Caminho Central Português (dado existirem outras variantes mais litorais ou interiores) desde Ponte de Lima até à Ponte metálica de Valença.
Alguns portugueses, e muitos galegos, tinham começado a fazer sozinhos, ou em grupo, o caminho Português de Santiago, desde Valença ou Tui até à Catedral de Santiago. Um pequeno leque de aventureiros portugueses foram também arriscando partir em peregrinação de algumas localidades minhotas, como por exemplo Braga, seguindo pelas bermas das estradas principais.
Em Julho de 1998 surge finalmente a primeira peregrinação oficial pelo recuperado Caminho de Santiago Português, com partida de Ponte de Lima. Esse primeiro grupo organizado de cerca de 70 peregrinos, entre os quais tivemos o maior orgulho e satisfação em estar incluídos, contou com a organização e apoio da ADRIL e ADRIMINHO, bem como o apoio do Corpo de Voluntários Portugueses da Ordem de Malta, de alguns agrupamentos de escuteiros e Municípios minhotos e galegos.
Esta peregrinação, que foi especialmente acarinhada e bem recebida (diga-se com honras de estado) pelo Governo Regional da Galiza, serviu também para apresentação e arranque públicos da Associação dos Amigos do Caminho Português de Santiago, entretanto criada em Ponte de Lima.
Nos anos seguintes esta parceria foi mantida e novos grupos de peregrinos foram sendo organizados e partindo pelo Caminho português de Santiago, tanto a pé, como de bicicleta e até a cavalo. A par destes grupos motores, várias entidades, grupos e clubes foram organizando e peregrinando com os seus pequenos grupos pelo Caminho Português de Santiago.
A Associação dos Amigos do Caminho Português de Santiago foi prosseguindo em colaboração com entidades locais um intenso trabalho de identificação, limpeza e sinalização do Caminho Central Português para sul, conseguindo em 2001, o objectivo da peregrinação a Santiago poder principiar junto á Sé Catedral do Porto. Em 2004, complementou esse trabalho com a edição de um excelente e pormenorizado guia Porto - Santiago.
Entretanto, a Associação Galega congénere, movida por um forte dinamismo e amor ao caminho português de Santiago avançou resolutamente na marcação do Caminho Português de Santiago, entre Lisboa e Porto. Elaborou também um Guia desse caminho, com passagem por Coimbra, que pode ser consultado ou descarregado na internet, tanto em Galego, como em Português.
Passados que são dez anos dessa primeira peregrinação oficial de Ponte de Lima a Santiago, talvez movidos por um certo saudosismo, demos por nós a pesquisar na internet e nos livros a evolução que o Caminho Português registou. De Menos de uma centena de pessoas a percorrê-lo em 1998, ultrapassou já em 2007 a dezena de milhar de peregrinos, muitos deles com proveniência do Brasil.
È certo que o Caminho Português continua muito longe de se aproximar do Caminho Francês onde o número de peregrinos anual superava já o milhão de pessoas, nos finais da década de noventa. Todavia, tornou-se já o segundo Caminho de Santiago mais trilhado pelos peregrinos, e com fortes tendências de crescimento.
O Caminho Central Português, tem agora pouco menos distância, que os quase 800 quilómetros principais do Caminho Francês, assim os peregrinos tenham tempo e vontade para quererem começar de tão longe. Até porque, o mínimo exigido a um peregrino é que principie a peregrinação (a pé, bicicleta ou cavalo) a pelo menos cem quilómetros da Catedral de Santiago e possa fazer prova disso na sua Credencial do Peregrino.
Em muitos lugares de Portugal continuam a surgir pessoas, não só dispostas a serem peregrinos, como também em contribuírem para a ampliação, divulgação e melhoria de vários possíveis itinerários do Caminho Português de Santiago. O caminho português interior vai ganhando consistência, bem como surgindo já quem queira redescobrir os caminhos litorais ou interiores desde o Algarve e Alentejo.
Falta no entanto algo fundamental ao Caminho Português, quando comparado com o Caminho Francês, que é uma rede de albergues de peregrinos a preços económicos. Embora, desde 1998 até agora, já tenham surgido dois albergues, permanece ainda por concretizar muito trabalho nesta área.

I -CAMINHOS ANTIGOS - Património do Futuro


O progresso material registado nos últimos séculos motivou uma constante evolução e adaptação da actividade humana, com reflexos igualmente assinaláveis, em termos das comunicações e acessibilidades.
Uma rede de antigos caminhos que era calcorreada pelos nossos antepassados foi substituída pela rede rodoviária actual. As distâncias percorridas a pé; montados em animais (cavalos, mulas e burros); ou em carroças de tracção animal (nos caminhos capazes de o permitirem), deram lugar á viagem de carro e comboio. A cómoda e rápida viagem de avião substituiu, também, parte das viagens terrestres de longa distância.
A mudança da rede viária permitiu que as distâncias fossem superadas muito rapidamente, o que em articulação com muitas outras evoluções, registadas em inúmeros domínios, conduziu à chamada “aceleração” da vida moderna. E o esforço do progresso é uma viagem contínua em direcção ao futuro… Os caminhos antigos ficam esquecidos, ou remetidos a funções secundárias, sempre que a lógica da rede viária da modernidade não entende sobrepor-lhe estradas ou auto-estradas principais, preferindo criar novos traçados.
Existem assim, em Portugal e no mundo, imensos caminhos antigos abandonados, por onde todos deixam de passar (facto que é agravado em Portugal pela desertificação massiva de vastas zonas rurais), que a natureza vai reintegrando nos seus domínios. Muitos dos principais caminhos antigos são também pontualmente alargados e adaptados a funções menos nobres, como simples estradas de acesso a propriedades rurais e de vigilância e extracção florestal. Em zonas urbanas, os caminhos antigos foram entretanto convertidos em ruas fundamentais dos centros históricos, mas infelizmente as novas vias de circunvalação e variantes aos núcleos urbanos, cortam frequentemente a continuidade desse caminho antigo. Tudo isto parece ser da ordem natural do progresso…
Poucos encaram ainda os caminhos antigos como um gigantesco património que os nossos antepassados nos legaram. Claro que se tem classificado, como imóveis e monumentos de interesse público, calçadas e pontes romanas e até medievais. Isso salvaguarda da destruição o que hoje podemos chamar de “obras de arte” dos caminhos antigos, mas não o caminho antigo, como um todo.
Compreende-se que durante as últimas décadas os caminhos do passado, sem interesse para rodovias fossem encarados como algo que pudesse ser cortado e interrompido, desviado significativamente do percurso original, alcatroado, destruído. Parece não ter existido o cuidado de verificar se um caminho antigo em risco de destruição, era uma simples estrada de acesso a uma dezena de propriedades rústicas, ou antes a antiga Estrada Real ou romana (sem calçada), que ligava uma histórica rota de circulação nacional ou europeia.
A recuperação e revitalização dos Caminhos de Santiago vieram demonstrar o erro desta visão limitada. Em 1987, o Caminho de Santiago Francês foi declarado o Primeiro Itinerário Cultural Europeu. Foi, também, classificado de Património da Humanidade pela UNESCO, tanto na Espanha em 1993, como em França, no ano de 1998.

terça-feira, 10 de junho de 2008

A Prece do Peregrino

[DEDICADA A TODOS OS PEREGRINOS]

Senhor, guia-me em todos os passos, para que jamais caminhe só por caminhar! Para que toda a imensa jornada tenha sempre um sentido especial em cada momento!

Senhor, orienta-me em todos os pensamentos, para que nunca as minhas ideias deixem de estar ligadas à fonte que és Tu! Para que nunca as minhas ideias deixem de estar ligadas à fonte que és Tu! Para que cada decisão que tome na minha atribulada existência seja fruto da tua verdade!

Senhor, faz com que as minhas mãos e obras estejam sempre ao serviço da realização dos Teus propósitos para este mundo! Para que o Teu reino se concretize aqui mesmo na Terra!

Senhor, inspira-me sempre com a Tua força e iluminação para que possa superar as tentações do quotidiano! Para que possa vencer as ilusões com que a escravidão e a mentira me tentam prender!

Senhor, conduz este peregrino, quese entrega em Tuas mãos, pelos duros caminhos da vida, fazendo sua a Tua Vontade!

O peregrino: Michael Gonçalves
Publicado in Espaço "O MIrante", na Comarca de Arganil de 07/12/1996

terça-feira, 3 de junho de 2008

Criar

Quem cria ultrapassa as barreiras
Do convencional e do definido.
Pois não existem fronteiras
Que possam suster o indefinido.

Criar é ser capaz de ambicionar
Alcançar um novo horizonte.
É ter desmedida coragem e unificar
O sonho e o real numa só ponte.

É não se conter perante a futilidade,
É buscar eternamente o conhecimento
E encontrá-lo noutra verdade.

É definir novas hierarquias,
Onde a raiva, a alegria e a tormenta,
Tal como o ódio e o amor sejam guias.

Publicado no Espaço Jovem, in A Comarca de Arganil, 14/03/1995
Escrito aos 16 anos.

Hino ao Sol



Oh Sol, fonte de magia!
Quão grande é a verdade
Dessa tua sabedoria,
Que é teres a imortalidade
E nasceres a cada dia!

Oh Sol, guardião da igualdade
Como é profunda a tua lição.
Os teus raios são fraternidade,
São ensinamento de comunhão
Para toda a humanidade!

Oh Sol, manifestação de amor,
Quão belo é o teu coração.
A todos distribuis teu calor,
Tua força, tua luminosa vastidão
E teu conforto consolador!

Oh Sol, ideal da União,
Feito luz ardente.
Como a tua perfeição
Convida toda a gente
A seguir a tua iluminação!

Oh Sol, anjo sorridente,
Emanação de mil esperanças.
Como te saúda contente
A Natureza repleta de danças
E todo o homem inteligente!

Sarzedo, Planeta Terra, 10-02-97

Publicado no Espaço “O Mirante” in A Comarca de Arganil, 06/03/1997

"Poesia"

Perguntaram-me se escrevia poesia.
Podia te dito que sim!

O meu cão acreditaria
Seguramente em mim.
Aos outros, faltaria
A sensibilidade expressa no latir do Flim.

Porém, eu só escrevo versos,
Feitos de palavras que o tempo irá corroer.
Os signos são perversos.
Começam a apodrecer, acabam por morrer
À semelhança de todos os Universos.

Só o nada é eterno.
Nele existem todos os horizontes.
Nunca é Inverno.
As margens unem-se pelas pontes.
O paraíso estende-se até ao inferno.

Antes da manifestação
O poeta é como a água de todas as fontes.
Tudo está no seu coração.
Não existem montes
A travar a ilusão.

Ter é estar prisioneiro.
Escrever é limitar,
É ser carrasco e carcereiro
Das ideias impossíveis de expressar
Com o significado verdadeiro.

As formas são uma sombra apodrecida.
Materializar é limitar a um quartito
Os ideais, cuja força e vida
Se estende pelo infinito.
Mas, é preciso versejar.
Peregrinar até ao templo da poesia.
Todas as formas renovar
A cada segundo do dia.

Escrevo versos,
Como quem faz romaria
Pelos Universos
Correndo atrás da Musa-Guia.

Quem sabe, um dia
Chegarei mais perto de ti
Oh! Poesia.

09/12/1998
Publicado in revista Águas Furtadas, edições do Jornal Universitário do Porto, 02/1999

Louvor ao Criador do Sol

Nasce o Sol (milagre incrível),
Um novo dia começa.
Tudo é possível.
Quem acredita recomeça,
Atinge o impossível.

A Luz cumpre a regra,
Rompendo a escuridão.
Tudo se alegra.
Até o Coração
Dos libertos da treva.

Já não há temor,
A verdade inunda o mundo.
Em nome do Amor,
O calor bate fundo
Na alma que louva com ardor.

A graça de Deus inunda
Esta parte da Terra.
A vida abunda.
Aparecendo por detrás da serra,
O Sol as trevas afunda.

Viva a Rosa Divina
Que nos renova e alimenta.
Graças pela luz que nos ilumina.
Pelo amor que nos orienta,
O gerador da Luz que não termina.

Louvor ao criador do Universo
Que tão belas manifestações produz.
Admiramos o Sol como quem reza o terço.
Pois quem tão bem nos conduz
Jamais caberá inteiro neste verso.

Graças ao Criador do Sol,
Pelo Sol e por todas as coisas

Publicado no espaço “o Mirante”, in A Comarca de Arganil, 19/01/1999

Gota de Água

Por fim a gota de água
Chega ao oceano.

Evapora-se sem mágoa
E sobe ao gasoso plano.

Da nuvem carregada
Escapa com boleia da gravidade.

Empreende longa jornada
Correndo com brevidade.

Unida a legiões de semelhantes
Forma poderosas nascentes.

Os rios caminhantes
Chegam ao mar sempre crescentes.

Igual a si a gota de água
Retorna ao inicial oceano.

Evapora-se sem mágoa
E sobe ao gasoso plano.

Publicado no espaço “O Mirante” in A Comarca de Arganil, 17/08/1999

A Nossa História

[Resumida em versos fáceis]

Na noite dos tempos,
Antes de sermos nós,
Viveram-se momentos
Que levantam a voz.

Ao uivar dos ventos,
Quando se sentiam sós,
Despertaram os sentimentos.
A Deusa viveu em nós.

Na alvorada da história,
Os homens da Anta
Navegaram com glória,
Como na Irlanda se canta.

Da dor, e da vitória,
Várias tribos valentes
Deixaram memória,
E nós, como descendentes.

O invasor romano
Viriato não temeu.
Guerreando tanto ano,
Só à traição morreu.

O império acabou.
O bárbaro veio reinar.
Mas, o cristianismo ficou
Até o mouro chegar.

No tempo da cruzada
Lutamos pela independência.
Portugal na alvorada,
De Afonso foi a regência.

O Portugal cristão
Não ficou só neste continente.
Partiu para a vastidão
Encontrando nova gente.

As eras passaram
E o império desapareceu.
As ligações não terminaram.
E até Timor renasceu.

A língua portuguesa cresceu
Habita por todo o mundo.
O ideal de Dom Dinis floresceu
Renasceu lá bem no fundo.

Com tanta mudança,
Pequena é a crise de agora,
Venha a nova dança,
Pois esta pode ser a hora.

A hora do reino da criança.

Publicado no espaço “O Mirante”, in A Comarca de Arganil

Queijos Ribeiro (*)

Os queijos do Ribeiro
Tem nome e tradição antiga.
José foi agricultor pioneiro
Como o disse voz amiga.

O filho do Visconde mandou
Criar as ovelhas do Canto.
Experientes queijeiras contratou
Surgindo um queijo de espanto.

A fama logo se espalhou
Sobre os queijos do Ribeiro.
Até que um dia calhou
Serem exemplo ao país inteiro.

Foi num jornal nacional,
Que surgiu um artigo lisonjeiro.
Revelou a todo o Portugal
Este bom queijo verdadeiro.

Passaram gerações e a lembrança
Dos queijos do Sr. Ribeiro.
Até à compra e posterior mudança
Dos Gonçalves para o Ribeiro.

A Quinta do Ribeiro
Dos Neves fora propriedade.
Mas a família de José Ribeiro
Com eles criou afinidade.

Foi António quem instalou
De novo, um grande rebanho.
E a Celeste quem fundou
Uma queijaria de tamanho.

Nasceram os queijos do Sarzedo,
Chamados da Quinta do Ribeiro.
Por acaso, e sem segredo,
Coincidiram no nome do pioneiro.

Dos queijos de ovelha passaram
Também a produzir os dos caprinos.
E nunca mais por ali pararam
De fazer queijos grandes e pequeninos.

O nome conquistou mercado
Ao qual o filho se dedicou.
E mesmo sendo estudado
Pelos queijos, no Sarzedo ficou.

O jovem Michael foi proclamado
Empresário Agrícola de Potencial.
Pelo título foi logo destacado
E passou na televisão nacional.

Da região da Beira Serra
Os queijos foram testemunho.
E desta, sarzedense terra
Levam, de novo, o cunho.

O nome dos queijos Ribeiro
Atravessa três séculos seguidos.
Como exemplo milagreiro
De agricultores bem sucedidos.

Quinta do Ribeiro
16 de Dezembro 2006

(*) Versos dedicados pelo autor aos queijos da Quinta do Ribeiro, produzidos pela sua família, mas que coincidem no nome, com os queijos que em finais do século XIX, José Ribeiro, filho do Visconde do Sarzedo, produzia. Ao paralelismo do nome, junta-se também o facto de, tanto uns, como outros, terem ganhado fama na região e a dada altura sido falados em meios de comunicação social nacionais (pelo mesmo motivo, o de constituírem um exemplo de inovação agrícola.)

Publicado in "Canto ao Sarzedo"

Resumo de Mim

Chamo-me Michael Gonçalves.
Nasci no Canadá,
Quando os meus pais andaram por lá.
Fui naturalizado português,
Ao resolverem regressar de vez.

Momentaneamente lisboeta e mourisense,
Acabei por me tornar sarzedense.
Os meus pais compraram uma quinta,
Com muita pinta.
Cresci próximo da Terra.
Filho de agricultor, visitando os avós na Serra.

Plantei árvores, plantas, fui pastor
E aprendiz de sonhador.
Não via televisão.
Aventurava-me com os peluches em inventada missão.
Fui para a escola, do Sarzedo, aprender
E fiz amigos a valer.
Craque na matemática,
Tive de me esforçar na gramática.
De tanto livro ler,
Imaginei muito e quis escrever.

Esqueci os algarismos,
Admirei os classicismos.
Estudei Humanidades
E busquei nobres e eternas verdades.
Escrevi para jornais,
Corri atrás dos ideais.

Chegou a Sociedade Global,
Estudei Comunicação Social.
Quatro anos fui portuense,
Sem jamais deixar de ser arganilense.
Envolvi-me em várias associações,
Aprendendo importantes lições.
Parti de Ponte de Lima, como peregrino,
Tendo Santiago por destino.
Estudante e jornalista,
Rapidamente cheguei a finalista.
Já licenciado,
Deixei a cidade e a profissão em que estava formado.
Regressei a Arganil,
Movido por um sonho subtil.

Agora vivo na Quinta do Ribeiro,
Estou no Sarzedo o ano inteiro.
Sou agricultor, caprinicultor,
Escritor e sonhador.
Vivo para Ser.
Realizo o serviço que me compete fazer.
Acredito que o Portugal inteiro
Regressará numa manhã de nevoeiro.
A rotina é improvisar,
Para realidade mais perfeita criar.
O lema é fertilizar os campos reais,
E cultivar também os espirituais.

Sigo o exemplo que Isabel e Dinis
Deixaram a este país.
Entendo a ecologia,
Que traz morte e vida num só dia.
Amo a harmonia
Que se expressa com poesia.
Admiro o imenso universo,
Que jamais conseguirei captar num simples verso.
Adoro e agradeço a Deus, eterno e infinito,
Que com tanto amor paterno presenteia este filhito. (1)

Novos desafios chegaram,
E os degraus trepados não bastaram.
Aprendi como ser
Empresário e vendedor a valer.
Agora é preciso resistir,
Avançar, antes de tudo o que irá vir.
É precioso cada momento,
Para lançar o novo pensamento.
O tempo acelera veloz,
E é urgente soltar a voz.
E se o sonho é escrever,
Então só libertando as palavras no papel se está a viver.

A morte é uma ilusão.
Quem a teme já perdeu o coração.
A vida começa quando se entende o fim
E daí ganhamos coragem para sermos o Mim. (2)

(1) Criado em Dezembro de 2001;
(2) Acrescentado em Novembro de 2006;

Versos Autobiográficos publicados in "Canto ao Sarzedo"

domingo, 4 de maio de 2008

A VOZ DA QUINTA


A criação deste blogue dedicado á Quinta do Ribeiro em Maio de 2008 é uma iniciativa destinada a possibilitar uma comunicação mais aprofundada entre a "Quinta do Ribeiro" e todos os seus clientes e amigos. Permitirá ainda, que em qualquer parte do mundo, todos possam acompanhar, ou tomar conhecimento, com a vida desta Quinta, e do que nela se vai produzindo.

A tradição de divulgar conhecimento e informação ácerca da Quinta do Ribeiro já vem todavia de há muitos anos... Começou pela produção e difusão de uns folhetos, até que chegamos à produção de um boletim trimestral de formato A5 com uma distribuição gratuita de 150 exemplares denominada "A Voz da Quinta".

"A Voz da Quinta" existiu durante cerca de dois anos resultando do casamento da utilidade de comunicar aos clientes mais informação com a disponibilidade pessoal de Michael Gonçalves (nessa época a estudar Comunicação Social) para o fazer...

Após o interregno voltamos agora, através da forma de um blogue dedicado á Quinta do Ribeiro, mas também simultaneamente denominado com o epíteto de "A Voz da Quinta", a dar novo renascimento, ainda que de forma significativamente diferente e mais ambiciosa a esse projecto.

Assim esperamos que tal como anunciava o primeiro Editorial desse boletim trimestral (que começou na estação do Outono), também por aqui possamos alcançar:

"PLANTAR UMA NOVA ATITUDE

Enquanto as folhas da época que se acaba se decompõem em húmus que será o composto fértil para as plantas do ciclo seguinte se desenvolverem, eis que também esta folha em branco ganhou uma forma mais fértil servindo de suporte a uma ideia.
A ideia, que é este boletim, visa tão simplesmente dizer mais a quem quer saber mais sobre o que se faz e pensa na Quinta do Ribeiro. Isto, porque é preciso ter-se cada vez mais uma nova atitude de comunicação não só quanto ás ideias, mas sobretudo interpessoal.
A Voz da Quinta será assim um meio para informar melhor os amigos e clientes acerca do que se produz na Quinta, criando a transparência necessária para que o verdadeiro valor das coisas transpareça, e participando na sensibilização para um consumo consciente, por oposição a um consumo em que normalmente quem compra nunca sabe o que compra...
Servirá também para vincar aspectos da Natureza e da Cultura Geral".

QUINTA DO RIBEIRO

Quanta água já correu no Ribeiro,
Ungindo as terras da margem.
Indo da Relvinha à Foz do Ribeiro
Numa curta e tranquila viagem.
Tantas pessoas, desde o primeiro
Arranjaram aqui sua vantagem.

Dos grandes Neves foi rico tesouro
O chão da quinta valeu quase ouro.

Refúgio de momentos complicados
Inicio de novos sonhos produtivos
Baluarte de ideias avessas aos fados,
Escuta agora estes poemas altivos,
Inventando meios aos planos iniciados.
Resiste, motivada por sonhos vivos,
Onde os campos se mantém pastados.

Michael Gonçalves
in livro "Canto ao Sarzedo"

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Explicação do Brasão

Esta foi uma marca gráfica que comecei a utilizar em algumas cartas mais filosóficas há alguns anos atrás... Dado, tal como essas cartas, também este Blogue insistir na caminhada necessária que cada um de nós, Portugal e o mundo devem fazer rumo ao SER, aqui o deixaremos como bandeira de cultura, ideal e espiritualidade. E que todos vamos além do Ter e sejamos capazes de SER!


....................S
.................S E R
....................R


Aqui fica também a minha antiga apresentação pelas terras virtuais do mundo Travian (por lá andei entre Março de 2007 e Fevereiro de 2008), onde me chamei primeiramente Eduardlour, depois Leahim e Merlim e sempre me distingui como grande Guerreiro e Líder fundador da Familia de Alianças P-IDADE...

"LUSITÂNIA:Da Terra da Luz, brotaram os mais insignes guerreiros, marinheiros, comerciantes e poetas...Desde Viriato até Mim, muitos Lusitanos correram mundos levando aos povos e ás nações a Nova IDADE do SER, ungidos pelo Reino do Espírito Santo, invoquemos o V Império, o tal da Irmandade Franca... Onde servir se torne o único poder, e o trono da Força Universal seja entregue à criança, coroada pela Pomba Branca da Paz e Entendimento Universais".

quinta-feira, 1 de maio de 2008

A FÉ SUPERA TODAS AS MONTANHAS

Neste primeiro de Maio, enquanto conduzia pela Estrada da Beira, na minha habitual volta de distribuição dos queijos ás lojas e restaurantes dos clientes, não pode deixar de contemplar as muitas dezenas de peregrinos em marcha... rumo a Fátima.

Estamos a poucos dias do 13 de Maio, e como em todos os anos, muitos milhares de portugueses deixam o conforto de casa e avançam numa longa peregrinação rumo ao Santuário de Nossa Senhora de Fátima.

Alguns peregrinam distancias incríveis em poucos dias, outros superam as dores, cansaço e limitações físicas e psicológicas, resistindo á dor e avançando sempre. Ao longo dos caminhos muitas pessoas acompanham esses peregrinos com alguns carros de apoio que aqui ou além permitem um reabastecimento eficaz.

O mais fascinante é vê-los a caminhar com tão pouca bagagem, mas com tanta fé e determinação... Se tudo na vida pudesse ter algo de peregrinação viveriamos num país e numa sociedade mais perfeitas. Mesmo com pouco, todos seguiriamos em esforço até á meta almejada.

Os sábios antigos já diziam que a Fé move montanhas, mas no caso dos peregrinos actuais, penso podermos dizer com maior propriedade que a Fé supera todas as montanhas, sejam elas da dúvida, da distância, da altitude... Quem peregrina leva dentro de si um motor especial mais poderoso que qualquer incentivo ou combustível exterior. É que a Fé e a Vontade permitem mesmo chegar até para além do impossivel... Pois quem acredita lança a ponte entre o concreto e o sonho... Lançada a Ponte fica criado o caminho por onde os outros só viam dificuldades intransponíveis.

Força Peregrinos que a Vossa Fé continue sempre para chegardes a Fátima e a tudo o que for importante na vossa vida! E que todos nós, contagiados pelo vosso exemplo saibamos também ser peregrinos dos nossos sonhos por Santiago, por Portugal, pela Humanidade e antes de tudo por nós mesmos.

terça-feira, 15 de abril de 2008

Caminhadas Peregrinas

Como a preparação de tão ambiciosa jornada de peregrinação pede alguma condição fisíca e espiritual resolvemos tentar caminhar mais todos os dias... Reintroduzir o hábito de andar a pé, sempre que a rotina acelarada o permita. E mesmo tentar alterar a rotina para criar esse tempo especial para caminhar e estarmos sós conosco mesmos ou com outros caminheiros.
Quem quer ser peregrino deve assim tentar sempre caminhar. Nem que sejam 200 metros ou um quilómetro para o local de trabalho; do trabalho até ao local onde se vai almoçar; há noite aqueles 300 metros de ida e volta de casa até um café; um pequeno périplo pelo campo, aldeia, avenida, parque ou praia das proximidades ao início do dia ou ao entardecer... E claro começar a marcar na agenda uma ou outra manhã, ou mesmo, um dia inteiro para caminhar, como treino.
No nosso caso tentaremos tornar essas caminhadas mais interessantes, dando-lhe um sentido poético e espiritual... não apenas caminhar por caminhar, mas caminhar para...
Vamos tentar caminhar á descoberta de uma aldeia pouco conhecida em guisa dos pequenos testemunhos patrimoniais que a história lhe possa ter legado; de uma pequena floresta agradável para observar atentamente a natureza; dos antigos caminhos de outras eras que levem a locais quase esquecidos na memória dos homens modernos; de pequenos santuários e peregrinações locais onde já ninguém peregrine.
Em todos esses caminhos seremos sempre mais do que praticantes de pedestreanismo... mais do que pessoas a andar a pé. Os nossos passos não vão ser só guiados pela necessidade de caminhar por prática desportiva ou atrás de resgate por melhor saúde ou condição física. Estaremos a caminhar porque somos peregrinos e porque temos um sonho que é ir até Santiago. Cada passo será assim uma aproximação rumo ao sonho que anima a alma.
Vamos pois começar a caminhar como peregrinos de Santiago e de tudo mais o que realmente importa nesta vida.

domingo, 16 de março de 2008

De Arganil a Santiago


Alea jacta est! Como terá dito César, ao atravessar o Rubicão, "A Sorte está Lançada"!
Aqui principia, nesta hora nocturna, a nossa longa caminhada desde Arganil até Santiago. Sentados no escritório da Quinta do Ribeiro, soltámos finalmente a imaginação para através deste blogue começar a alicerçar o pensamento e a vontade de realizarmos de novo o Caminho Português de Santiago.
É ainda uma peregrinação virtual, esta, que agora começamos a empreender. Já sentimos, todavia, o tímido verbo que aqui desponta, tão forte e mágico, como a bola de neve que a seu tempo irá transformar-se em avalanche; ou o ténue fio de água que originará um imenso rio.
Volvidos quase 10 anos após termos participado, em 1998, na I Peregrinação Oficial desde Ponte de Lima a Santiago, pelo antigo Caminho Português de Santiago, verificamos com enorme agrado e surpresa o crescimento deste caminho, e do número dos peregrinos desta via de acesso a Santiago de Compostela. E emocionadamente sentimos regressar o apelo para retornarmos ao Caminho... Mas a um Caminho agora mais dilatado na distância, e na oportunidade de constituir um tempo priviligiado de comunhão com o ser e a civilização que somos; os outros; o criador; a natureza e o sentido da vida.
Graças ao trabalho de muitos Amigos do Caminho, tanto galegos como portugueses, o Caminho Português de Santiago é actualmente uma realidade perfeitamente demarcada entre Lisboa e Santiago. O peregrino pode rumar desde a capital de Portugal até Santiago, pelo preciso Caminho por onde a fé guiou alguns ilustres (e milhões de anónimos), ao longo dos séculos.
Surgiu logo a vontade de um dia sair de Coimbra em peregrinação até Santiago... Mas, o coração logo lembrou o amor pelo rincão arganilense, e que a verdadeira peregrinação começa quando o peregrino sai de casa, ou ainda mais exactamente, desde o instante em que resolve que vai partir...
Nascia a ideia de fazer uma peregrinação "De Arganil a Santiago". E logo os obstáculos mentais se levantaram... A inexistência de caminho sinalizado entre Arganil e Coimbra; a dificuldade profissional em arranjar cerca de 16 dias livres; a falta de preparação física e de companheiros...
Tudo razões válidas para conterem quem se quiser deixar prender! Mas e o sonho? O Sonho diz que é possivel. E se não há caminho identificado (embora qualquer caminho pudesse servir), então mais do que uma dificuldade, vislumbramos uma oportunidade. A nossa possibilidade de contribuirmos com algo para o Caminho... A descoberta e marcação de antigos caminhos mediavais que outrora permitiram aos beirões chegar a Coimbra e a partir daí rumarem até Santiago. Mesmo considerando a existência de outro caminho Santiago Português interior, com passagem em Viseu, a verdade é que Arganil e concelhos da região se orientavam e orientam na direcção de Coimbra, distrito a que pertencem.
E as fontes históricas lá nos relatam as antigas vias romanas que precederam as estradas medievais e reais que originaram a via ainda conhecida como "Estrada da beira", por mais que o código atribuído seja de N17. Facilmente percebemos que entre Coimbra e Viseu, a cidade romana de Bobadela seria de certa forma um local romano de importância, e localizado no eixo viários entre ambas. Portanto, será talvez nesse ponto, o local mais legítimo para fazer principiar os Caminhos de Santiago Beirões... Um deles nascendo na direcção da antiga Aeminium, o outro no sentido de Viseu e do Caminho de Santiago que por aí passava.
Tomando por base, este ponto de partida, vamos tentar, para já, trabalhar na definição de um possivel traçado entre Bobadela e Coimbra e na ramificação de Arganil com essa via.
Este blogue e esse projecto são assim parte do sonho "De Arganil a Santiago". E por acreditarmos nos sonhos, vamos então seguir em frente trabalhando, engrossando a bola de neve, e acreditando que o Universo e a Divina Providência conosco conspirem, como tem feito com tantos outros sonhadores que fizeram possiveis tantas cousas bem mais impossiveis.
Confiamos então que surjam colaboradores para a preparação e companheiros para peregrinos. Entretanto por aqui, por bibliotecas, antigos arquivos, cartas militares e muito pelas aldeias e antigos caminhos vamos procurando a antiga via dos Beirões para Coimbra e Santiago... Nestas, e nessas andanças, certamente abriremos a nossa vida a uma melhor condição física e espiritual.
E talvez um dia, quem sabe junto de si e de outros amigos possamos sair De Arganil Hasta Santiago!